Disfunções Sexuais

| Disfunções Sexuais

As Disfunções Sexuais caracterizam-se por uma perturbação no desejo sexual e/ou por alterações psicofisiológicas ao nível do ciclo de resposta sexual, causando sofrimento acentuado e dificuldade interpessoal.

Sendo bons exemplos de tal realidade: 1) Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo; 2) Transtorno de Aversão Sexual; 3) Transtorno da Excitação Sexual; 4)Transtorno da Excitação Sexual Feminina; 5) Transtorno Erétil Masculino; 6) Transtornos Orgásmicos; 7)Transtorno Orgásmico Feminino; 8)Transtorno Orgásmico Masculino; 9) Ejaculação Precoce; 19) Transtornos de dor Sexual; 11) Dispareunia; 12) Vaginismo; 13) Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral; 14) Disfunção Sexual Induzida por Substância; 15) Parafilias; 16) Exibicionismo; 17) Fetichismo; 18)Frotteurismo; 19) Pedofilia; 20)Masoquismo; 21) Sadismo; 22) Fetichismo Transvéstico; 23) Voyeurismo; 24) Parafilia Sem Outra Especificação

Uma Disfunção Sexual caracteriza-se por uma perturbação nos processos que caracterizam o ciclo de resposta sexual ou por dor associada com o intercurso sexual. O ciclo de resposta sexual pode ser dividido nas seguintes fases:

1. Desejo: Esta fase consiste de fantasias acerca da atividade sexual e desejo de ter atividade sexual.

2. Excitação: Esta fase consiste de um sentimento subjetivo de prazer sexual e alterações fisiológicas concomitantes. As principais alterações no homem consistem de tumescência e ereção peniana. As principais alterações na mulher consistem de vasocongestão pélvica, lubrificação e expansão vaginal e turgescência da genitália externa.

3. Orgasmo: Esta fase consiste de um clímax do prazer sexual, com liberação da tensão sexual e contração rítmica dos músculos do períneo e órgãos reprodutores. No homem, existe uma sensação de inevitabilidade ejaculatória, seguida de ejaculação de sêmen. Na mulher, ocorrem contrações (nem sempre experimentados subjetivamente como tais) da parede do terço inferior da vagina. Em ambos os gêneros, o esfíncter anal contrai-se ritmicamente.

4. Resolução: Esta fase consiste de uma sensação de relaxamento muscular e bem-estar geral. Durante esta fase, os homens são fisiologicamente refratários a outra ereção e orgasmo por um período variável de tempo. Em contrapartida, as mulheres podem ser capazes de responder a uma estimulação adicional quase que imediatamente. Os transtornos da resposta sexual podem ocorrer em uma ou mais dessas fases. Sempre que mais de uma Disfunção Sexual estiver presente, todas são registradas. Os conjuntos de critérios não fazem qualquer tentativa de especificar uma frequência mínima ou faixa de contextos, atividades ou tipos de encontros sexuais nos quais a disfunção deve ocorrer. Este julgamento deve ser feito pelo clínico, levando em consideração fatores tais como a idade e experiência do indivíduo, frequência e cronicidade do sintoma, sofrimento subjetivo e efeito sobre outras áreas do funcionamento. As palavras “persistente ou recorrente” nos critérios de diagnóstico indicam a necessidade deste julgamento clínico. Se a estimulação sexual é inadequada em foco, intensidade ou duração, não é feito o diagnóstico de Disfunção Sexual envolvendo excitação ou orgasmo.

Dr. Renato Martins - Terapia de casal - Sexologia - Hipnose Clínica
Dr. Renato Martins - Terapia de casal - Sexologia - Hipnose Clínica
Dr. Renato Martins - Terapia de casal - Sexologia - Hipnose Clínica
Dr. Renato Martins - Terapia de casal - Sexologia - Hipnose Clínica

| Subtipos

Os subtipos são oferecidos para indicar o início, contexto e fatores etiológicos associados com as Disfunções Sexuais. Se múltiplas Disfunções Sexuais estão presentes, os subtipos apropriados para cada uma podem ser anotados. Estes subtipos não se aplicam a um diagnóstico de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral ou Disfunção Sexual Induzida por Substância. Um dos seguintes subtipos pode ser usado para indicar a natureza do início da Disfunção Sexual:

Tipo Ao Longo da Vida – Este subtipo se aplica se a Disfunção Sexual está presente desde o início do funcionamento sexual.

Tipo Adquirido – Este subtipo se aplica se a Disfunção Sexual se desenvolve apenas após um período de funcionamento normal.

Um dos seguintes subtipos pode ser usado para indicar o contexto no qual a Disfunção Sexual ocorre:

Tipo Generalizado – Este subtipo se aplica se a Disfunção Sexual não está limitada a certos tipos de estimulação, situações ou parceiros.

Tipo Situacional – Este subtipo se aplica se a Disfunção Sexual está limitada a certos tipos de estimulação, situações ou parceiros. Embora na maior parte dos casos as disfunções ocorram durante a atividade sexual com um parceiro, em alguns casos pode ser apropriado identificar disfunções que ocorrem durante a masturbação.

Um dos seguintes subtipos pode ser usado para indicar os fatores etiológicos associados com a Disfunção Sexual:

Devido a Fatores Psicológicos – Este subtipo aplica-se quando fatores psicológicos supostamente desempenham um papel importante no início, gravidade, exacerbação ou manutenção da Disfunção Sexual, e condições médicas gerais e substâncias não exercem qualquer papel na etiologia da Disfunção Sexual.

Devido a Fatores Combinados – Este subtipo aplica-se quando 1) fatores psicológicos supostamente desempenham um papel no início, gravidade, exacerbação ou manutenção da Disfunção Sexual e 2) uma condição médica geral ou uso de substância também contribui, supostamente, mas não basta para explicar a Disfunção Sexual. Se uma condição médica geral ou uso de substância (inclusive efeitos colaterais de medicamentos) é suficiente para explicar a Disfunção Sexual, pode-se diagnosticar Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral e/ou Disfunção Sexual Induzida por Substância.

O discernimento clínico acerca da presença de uma Disfunção Sexual deve levar em consideração a bagagem étnica, cultural, religiosa e social do indivíduo, que pode influenciar o desejo sexual, as expectativas e atitudes quanto ao desempenho. Em algumas sociedades, por exemplo, o desejo sexual por parte da mulher recebe menor relevância (especialmente quando a fertilidade é a preocupação principal). O envelhecimento do indivíduo pode estar associado com uma diminuição do interesse e funcionamento sexual (especialmente em homens), mas existem amplas diferenças individuais nos efeitos da idade.

Existem muito poucos dados epidemiológicos envolvendo a prevalência das várias disfunções sexuais, e esses mostram uma variabilidade extrema, provavelmente refletindo diferenças nos métodos de avaliação, definições usadas e características das populações amostradas.

Se o clínico considera que a Disfunção Sexual é causada exclusivamente pelos efeitos fisiológicos de uma determinada condição médica geral, o diagnóstico é de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral. Esta determinação fundamenta-se na história, achados laboratoriais ou exame físico.

Quando se supõe que a Disfunção Sexual é causada exclusivamente pelos efeitos fisiológicos de uma droga de abuso, um medicamento ou exposição a uma toxina, o diagnóstico é de Disfunção Sexual Induzida por Substância. Cabe ao clínico investigar atentamente a natureza e extensão do uso de substâncias, inclusive medicamentos.

Os sintomas que ocorrem durante ou logo após (isto é, em 4 semanas) a Intoxicação com Substância ou após o uso de medicamentos podem ser especialmente indicativos de uma Disfunção Sexual Induzida por Substância, dependendo do tipo ou quantidade da substância usada ou duração do uso. Se o clínico determinar que a disfunção sexual se deve tanto a uma condição médica geral quanto ao uso de uma substância, podem ser dados ambos os diagnósticos (isto é, Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral e Disfunção Sexual Induzida por Substância). Um diagnóstico de Disfunção Sexual primária com o subtipo Devido a Fatores Combinados é feito quando se presume o papel etiológico de uma combinação de fatores psicológicos e uma condição médica geral ou substância, mas nenhuma etiologia isolada é suficiente para explicar a disfunção. Se o clínico não consegue determinar os papéis etiológicos dos fatores psicológicos, de uma condição médica geral e do uso de uma substância, diagnostica-se Disfunção Sexual Sem Outra Especificação.

O diagnóstico de Disfunção Sexual também não é feito se a disfunção é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (por ex., se a redução do desejo sexual ocorre apenas no contexto de um Episódio Depressivo Maior). Entretanto, se a perturbação no funcionamento sexual antecede o transtorno do Eixo I ou é um foco de atenção clínica independente, pode ser feito um diagnóstico adicional de Disfunção Sexual. Em geral, se uma Disfunção Sexual está presente (por ex., Transtorno da Excitação Sexual), Disfunções Sexuais adicionais também estarão presentes (por ex., Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo).

Nesses casos, todos os transtornos devem ser diagnosticados. Um Transtorno da Personalidade pode coexistir com uma Disfunção Sexual. Nestes casos, a Disfunção Sexual deve ser registrada no Eixo I, e o Transtorno da Personalidade, no Eixo II. Se uma outra condição clínica, como Problema de Relacionamento, está associada com a perturbação no funcionamento sexual, a Disfunção Sexual deve ser diagnosticada, e a outra condição clínica também é anotada no Eixo I.

Problemas ocasionais com o desejo sexual, excitação ou orgasmo que não são persistentes ou recorrentes ou não são acompanhados por acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal não são considerados como Disfunções Sexuais.

MARQUE JÁ A SUA CONSULTA

DEIXE-NOS AJUDAR

Porto | Maia | Póvoa Varzim | Santo Tirso | Bragança | Figueira Foz | São Paio de Oleiros | Amarante

| Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo

A característica essencial do Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo é uma deficiência ou ausência de fantasias sexuais e desejo de ter atividade sexual (Critério A). A perturbação deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério B). A disfunção não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto uma outra Disfunção Sexual) nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (inclusive medicamentos) ou de uma condição médica geral (Critério C). O baixo desejo sexual pode ser global e abranger todas as formas de expressão sexual ou pode ser situacional e limitado a um parceiro ou a uma atividade sexual específica (por ex., intercurso, mas não masturbação).

Existe pouca motivação para a busca de estímulos e pouca frustração quando privado da oportunidade de expressão sexual. O indivíduo em geral não inicia a atividade sexual ou pode engajar-se apenas com relutância quando esta é iniciada pelo parceiro. Embora a frequência das experiências sexuais geralmente seja baixa, a pressão do parceiro ou necessidades não-sexuais (por ex., de conforto físico ou intimidade) podem aumentar a frequência dos encontros sexuais. Em vista de uma falta de dados normativos relacionados à idade ou gênero, quanto à frequência ou grau do desejo sexual, o diagnóstico deve fundamentar-se no julgamento clínico, com base nas características do indivíduo, determinantes interpessoais, o contexto de vida e o contexto cultural. O clínico pode ter de avaliar ambos os parceiros, quando discrepâncias no desejo sexual levam à busca da atenção de um profissional.

Um “baixo desejo” aparente em um parceiro pode refletir, ao invés disso, uma necessidade excessiva de expressão sexual da parte do outro. Por outro lado, ambos os parceiros podem ter níveis de desejo dentro da faixa normal, mas em extremos diferentes do continuum.

Os subtipos são oferecidos para a indicação de início (Ao Longo da Vida versus Adquirido) e fatores etiológicos (Devido a Fatores Psicológicos, Devido a Fatores Combinados) para Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo.

Um desejo sexual reduzido frequentemente está associado com problemas de excitação sexual ou com dificuldades para atingir o orgasmo. A deficiência no desejo sexual pode representar a disfunção primária ou pode ser a consequência de sofrimento emocional induzido por perturbações na excitação ou no orgasmo. Entretanto, alguns indivíduos com baixo desejo sexual retêm a capacidade para a excitação sexual adequada e orgasmo em resposta à estimulação sexual.

Condições médicas gerais podem ter um efeito prejudicial in específico sobre o desejo sexual, devido a fraqueza, dor, problemas com a imagem corporal ou preocupações com a sobrevivência. Os transtornos depressivos frequentemente estão associados com um baixo desejo sexual, podendo o início da depressão preceder, coocorrer ou ser a consequência do desejo sexual deficiente.

Os indivíduos com Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo podem ter dificuldades para desenvolver relacionamentos sexuais estáveis e insatisfação e rompimento conjugais.

A idade de início para indivíduos com formas Ao Longo da Vida de Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo é a puberdade. Com maior frequência, o transtorno desenvolve-se na idade adulta, após um período de interesse sexual adequado, em associação com sofrimento psicológico, eventos estressantes ou dificuldades interpessoais.

A perda do desejo sexual pode ser contínua ou episódica, dependendo de fatores psicossociais ou do relacionamento. Um padrão episódico de perda do desejo sexual ocorre em alguns indivíduos, envolvendo problemas com a intimidade e formação de compromissos.

O Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo deve ser diferenciado da Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral. O diagnóstico apropriado é de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quando se presume que a disfunção se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos de uma condição médica geral específica (ver pp. 487-488). Esta determinação fundamenta-se na história, achados laboratoriais ou exame físico.

Certas condições médicas gerais, tais como anormalidades neurológicas, hormonais e metabólicas, podem prejudicar especificamente os substratos fisiológicos do desejo sexual. Anormalidades na testosterona e prolactina totais e biodisponíveis podem indicar transtornos hormonais responsáveis pela perda do desejo sexual. Se tanto um Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo quanto uma condição médica geral estão presentes, mas o médico julga que a disfunção sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos da condição médica geral, então se aplica o diagnóstico de Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo Devido a Fatores Combinados.

Contrastando com o Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo, presume-se que uma Disfunção Sexual Induzida por Substância se deva exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., medicamentos anti-hipertensivos, uma droga de abuso). Se tanto um Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo quanto o uso de uma substância estão presentes, mas o clínico julga que a disfunção sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos do uso da substância, então se aplica o diagnóstico de Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo Devido a Fatores Combinados. Se o baixo desejo sexual é considerado como sendo devido exclusivamente aos efeitos fisiológicos tanto de uma condição médica geral quanto do uso de uma substância, então são diagnosticados tanto Transtorno de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quanto Disfunção Sexual Induzida por Substância. O Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo também pode ocorrer em associação com outras Disfunções Sexuais (por ex., Disfunção Erétil Masculina), sendo que então ambas as condições devem ser anotadas.

Um diagnóstico adicional de Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo em geral não é feito se o baixo desejo sexual é melhor explicado por outro transtorno do Eixo I (por ex., Transtorno Depressivo Maior, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Transtorno de Estresse Pós-Traumático). O diagnóstico adicional pode ser apropriado quando o baixo desejo antecede o transtorno do Eixo I ou é um foco de atenção clínica independente.

Problemas ocasionais com o desejo sexual que não são persistentes ou recorrentes ou não são acompanhados por acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal não são considerados um Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo.

A. Deficiência (ou ausência) persistente ou recorrente de fantasias ou desejo de ter atividade sexual. O julgamento de deficiência ou ausência é feito pelo clínico, levando em consideração fatores que afetam o funcionamento sexual, tais como idade e contexto de vida do indivíduo.

B. A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

C. A disfunção sexual não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual) nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral.

Especificar tipo:Tipo Ao Longo da Vida Tipo; Adquirido

Especificar tipo: Tipo Generalizado; Tipo Situacional

Especificar: Devido a Fatores Psicológicos;  Devido a Fatores Combinados

| Transtorno de Aversão Sexual

A característica essencial do Transtorno de Aversão Sexual é a aversão e esquiva ativa do contato sexual genital com um parceiro sexual (Critério A). A perturbação deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério B). A disfunção não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual) (Critério C). O indivíduo relata ansiedade, medo ou repulsa ao se defrontar com uma oportunidade sexual com um parceiro.

A aversão ao contato genital pode concentrar-se em um determinado aspeto da experiência sexual (por ex., secreções genitais, penetração vaginal). Alguns indivíduos experimentam repulsa generalizada a quaisquer estímulos sexuais, inclusive beijos e toques. A intensidade da reação do indivíduo quando exposto aos estímulos aversivos pode variar desde uma ansiedade moderada e falta de prazer, até um extremo sofrimento psicológico.

Os subtipos são oferecidos para indicar início (Ao Longo da Vida versus Adquirido), contexto (Generalizado versus Situacional) e fatores etiológicos (Devido a Fatores Psicológicos, Devido a Fatores Combinados), para o Transtorno de Aversão Sexual

Ao se defrontarem com uma situação sexual, alguns indivíduos com Transtorno de Aversão Sexual severo podem experimentar Ataques de Pânico, com extrema ansiedade, sensações de terror, desmaio, náusea, palpitações, tonturas e dificuldades respiratórias. Pode haver um acentuado prejuízo nas relações interpessoais (por ex., insatisfação conjugal). Os indivíduos podem evitar situações sexuais ou parceiros sexuais em potencial mediante estratégias veladas (por ex., dormir cedo, viajar, negligenciar a aparência pessoal, usar substâncias ou envolver-se com atividades de trabalho, sociais ou familiares).

O Transtorno de Aversão Sexual também pode ocorrer junto com outras Disfunções Sexuais (por ex., Dispareunia). Neste caso, devem ser anotadas ambas as condições. Um diagnóstico adicional de Transtorno de Aversão Sexual geralmente não é feito se a aversão sexual é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (por ex., Transtorno Depressivo Maior, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Transtorno de Estresse Pós-Traumático).

O diagnóstico adicional pode ser feito quando a aversão precede o transtorno do Eixo I ou é um foco de atenção clínica independente. Embora a aversão sexual possa satisfazer, tecnicamente, os critérios para Fobia Específica, este diagnóstico adicional não é dado. Uma aversão sexual ocasional que não é persistente ou recorrente ou não se acompanha de acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal não é considerada um Transtorno de Aversão Sexual.

A. Extrema aversão ou esquiva persistente ou recorrente de todo (ou quase todo) contato sexual genital com um parceiro sexual.

B. A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

C. A disfunção sexual não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual).

Especificar tipo: Tipo Ao Longo da Vida / Tipo Adquirido; Tipo Generalizado /Tipo Situacional ; Devido a Fatores Psicológicos / Fatores Combinados

| Transtorno da Excitação Sexual Feminina

A característica essencial do Transtorno da Excitação Sexual Feminina é uma incapacidade persistente ou recorrente de adquirir ou manter uma resposta de excitação sexual adequada de lubrificação-turgescência até a conclusão da atividade sexual (Critério A).

A resposta de excitação consiste de vasocongestão da pelve, lubrificação e expansão vaginal e turgescência da genitália externa. A perturbação deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério B).

A disfunção não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (inclusive medicamentos) ou de uma condição médica geral (Critério C).

Os subtipos são oferecidos para indicar início (Ao Longo da Vida ou Adquirido), contexto (Generalizado versus Situacional) e fatores etiológicos (Devido a Fatores Psicológicos, Devido a Fatores Combinados), para Transtorno da Excitação Sexual Feminina.

Limitadas evidências sugerem que o Transtorno da Excitação Sexual Feminina frequentemente é acompanhado por Transtornos do Desejo Sexual e Transtorno Orgásmico Feminino. A pessoa com Transtorno da Excitação Sexual Feminina pode ter pouca ou nenhuma sensação subjetiva de excitação sexual. O transtorno pode resultar em intercurso doloroso, esquiva sexual e perturbação de relacionamentos conjugais ou sexuais.

O Transtorno da Excitação Sexual Feminina deve ser diferenciado de uma Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral. O diagnóstico apropriado é de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quando a disfunção é considerada como sendo exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos de uma determinada condição médica geral (por ex., reduções nos níveis de estrógeno na menopausa ou pós-menopausa, vaginite atrófica, diabete melito, radioterapia da pelve).

Uma lubrificação reduzida também tem sido relatada em associação com a lactação. Esta determinação fundamenta-se na história, achados laboratoriais e exame físico. Se tanto o Transtorno de Excitação Sexual Feminina quanto uma condição médica geral estão presentes, mas o clínico presume que a disfunção sexual não se deve exclusivamente às consequências fisiológicas diretas da condição médica geral, então se aplica o diagnóstico de Transtorno da Excitação Sexual Feminina, Devido a Fatores Combinados. Contrastando com o Transtorno da Excitação Sexual Feminina, uma Disfunção Sexual Induzida por Substância é considerada como sendo exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., redução da lubrificação causada por anti-hipertensivos ou anti-histamínicos).

Se tanto um Transtorno de Excitação Sexual Feminina quanto o uso de uma substância estão presentes, mas o clínico considera que a disfunção sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos do uso da substância, então se aplica o diagnóstico de Transtorno da Excitação Sexual Feminina Devido a Fatores Combinados. Se se supõe que os problemas de excitação se devem exclusivamente aos efeitos fisiológicos tanto de uma condição médica geral quanto do uso de uma substância, tanto Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quanto Disfunção Sexual Induzida por Substância são diagnosticadas.

O Transtorno da Excitação Sexual Feminina também pode ocorrer em associação com outras Disfunções Sexuais (por ex., Transtorno Orgásmico Feminino), sendo que, neste caso, ambos devem ser anotados. Um diagnóstico adicional de Transtorno de Excitação Sexual Feminina geralmente não é feito se o problema da excitação sexual é melhor explicado por outro transtorno do Eixo I (por ex., Transtorno Depressivo Maior, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Transtorno de Estresse Pós-Traumático). O diagnóstico adicional pode ser feito quando o problema com a excitação sexual antecede o transtorno do Eixo I ou se este é um foco de atenção clínica independente. Problemas ocasionais com a excitação sexual que não são persistentes ou recorrentes ou não se acompanham de acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal não são considerados Transtorno da Excitação Sexual Feminina.

Um diagnóstico de Transtorno da Excitação Sexual Feminina também não se aplica se os problemas na excitação se devem a uma estimulação sexual inadequada em foco, intensidade e duração.

A. Incapacidade persistente ou recorrente de adquirir ou manter uma resposta de excitação sexual de lubrificação-turgescência até a conclusão da atividade sexual.

B. A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

C. A disfunção sexual não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral.

Especificar tipo: Tipo Ao Longo da Vida / Tipo Adquirido ; Tipo Generalizado / Tipo Situacional; Devido a Fatores Psicológicos / Devido a Fatores Combinados

| Transtorno Erétil Masculino

A característica essencial do Transtorno Erétil Masculino é uma incapacidade persistente ou recorrente de obter ou manter uma ereção adequada até a conclusão da atividade sexual (Critério A). A perturbação deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério B).

A disfunção não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (inclusive medicamentos) ou de uma condição médica geral (Critério C). Existem diferentes padrões de disfunção erétil.

Alguns indivíduos relatam uma incapacidade de obterem qualquer ereção desde o início de uma experiência sexual. Outros queixam-se de terem experimentado uma ereção adequada, perdendo a tumescência depois, ao tentarem a penetração. Outros, ainda, relatam terem uma ereção suficientemente firme para a penetração, mas que depois perdem a tumescência antes ou durante o ato. Alguns homens podem relatar a capacidade de terem uma ereção apenas durante a automasturbação ou ao despertarem. As ereções masturbatórias também podem ser perdidas, mas isto não é comum.

Os subtipos são oferecidos para indicar início (Ao Longo da Vida versus Adquirido), contexto (Generalizado versus Situacional) e fatores etiológicos (Devido a Fatores Psicológicos, Devido a Fatores Combinados), para o Transtorno Erétil Masculino.

As dificuldades eréteis no Transtorno Erétil Masculino frequentemente estão associadas com ansiedade sexual, medo do fracasso, preocupações acerca do desempenho sexual e uma redução do sentimento subjetivo de excitação e prazer sexual. Uma disfunção erétil é capaz de perturbar um relacionamento conjugal ou sexual existente, podendo ser a causa de casamentos não consumados e infertilidade. Este transtorno pode estar associado com Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo e Ejaculação Precoce. Os indivíduos com Transtornos do Humor e Transtornos Relacionados a Substâncias frequentemente relatam problemas com a excitação sexual.

As várias formas de Transtorno Erétil Masculino seguem diferentes cursos, e a idade de início varia substancialmente. Os poucos indivíduos que jamais foram capazes de experimentar uma ereção de suficiente qualidade para a conclusão da atividade sexual com uma parceira têm, tipicamente, um transtorno crônico ao longo da vida. Os casos adquiridos podem apresentar uma remissão espontânea de 15 a 30%. Os casos situacionais podem depender do tipo de parceiro, da intensidade ou da qualidade do relacionamento, sendo episódicos e frequentemente recorrentes.

O Transtorno Erétil Masculino deve ser distinguido de uma Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral. O diagnóstico apropriado é de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral, quando a disfunção é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos de uma determinada condição médica geral (por ex., diabete melito, esclerose múltipla, insuficiência renal, neuropatia periférica, doença vascular periférica, lesão da medula, lesão do sistema nervoso autônomo por cirurgia ou radiação). Esta determinação fundamenta-se na história (por ex., funcionamento erétil prejudicado durante a masturbação), achados laboratoriais ou exame físico. Estudos da tumescência peniana noturna podem demonstrar se ocorrem ereções durante o sono e ser úteis para a diferenciação entre transtornos eréteis primários e Transtorno Erétil Masculino Devido a uma Condição Médica Geral.

Avaliações da pressão sanguínea peniana, de onda-pulso ou ultrassonografia por Doppler podem indicar perda vasculogênica do funcionamento erétil. Procedimento invasivos tais como testagem farmacológica intracorpórea ou angiografia podem avaliar a presença de problemas no fluxo arterial. A cavernosonografia pode determinar a competência venosa. Se tanto um Transtorno Erétil Masculino quanto uma condição médica geral estão presentes, mas o clínico considera que a disfunção erétil não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos da condição médica geral, então se aplica o diagnóstico de Transtorno Erétil Masculino Devido a Fatores Combinados. Uma Disfunção Sexual Induzida por Substância é diferenciada do Transtorno Erétil Masculino porque se presume que a Disfunção Sexual se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., medicamento anti-hipertensivo, medicamento antidepressivo, medicamento neuroléptico, droga de abuso).

Se tanto um Transtorno Erétil Masculino quanto o uso de uma substância estão presentes, mas o clínico considera que a disfunção erétil não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos do uso da substância, então se aplica o diagnóstico de Transtorno Erétil Masculino Devido a Fatores Combinados. Se os problemas de excitação são considerados exclusivamente devido aos efeitos fisiológicos tanto de uma condição médica geral quanto do uso de uma substância, diagnostica-se tanto Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quanto Disfunção Sexual Induzida por Substância. O Transtorno Erétil Masculino também pode ocorrer em associação com outras Disfunções Sexuais (por ex., Ejaculação Precoce), sendo que, neste caso, ambas as condições devem ser anotadas. Um diagnóstico adicional de Transtorno Erétil Masculino em geral não é feito se a disfunção erétil é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (por ex., Transtorno Depressivo Maior, Transtorno Obsessivo-Compulsivo). O diagnóstico adicional pode ser feito quando a disfunção erétil precede o transtorno do Eixo I ou é um foco de atenção clínica independente. Problemas ocasionais com ereções não persistentes ou recorrentes ou não acompanhados por acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal não são considerados Transtorno Erétil Masculino.

Um diagnóstico de Transtorno Erétil Masculino também não se aplica se a disfunção erétil se deve a uma estimulação sexual inadequada em termos de foco, intensidade e duração. Homens mais velhos podem necessitar de maior estimulação ou levar mais tempo para atingirem uma ereção completa. Essas alterações fisiológicas não devem ser consideradas Transtorno Erétil Masculino.

A. Incapacidade persistente ou recorrente de obter ou manter uma ereção adequada até a conclusão da atividade sexual.

B. A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldades interpessoais.

C. A disfunção erétil não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (outro que não Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento), ou de uma condição médica geral.

Especificar tipo: Tipo Ao Longo da Vida / Tipo Adquirido ; Tipo Generalizado /Tipo Situacional ; Devido a Fatores Psicológicos / Fatores Combinados

| Transtorno Orgásmico Feminino

A característica essencial do Transtorno Orgásmico Feminino é um atraso, ou ausência persistente ou recorrente de orgasmo, após uma fase normal de excitação sexual (Critério A). As mulheres apresentam uma ampla variabilidade no tipo ou intensidade da estimulação que leva ao orgasmo.

O diagnóstico de Transtorno Orgásmico Feminino deve fundamentar-se no julgamento clínico de que a capacidade orgásmica da mulher é menor do que se poderia esperar para sua idade, experiência sexual e adequação da estimulação sexual que recebe. A perturbação deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério B). A disfunção não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (inclusive medicamentos) ou de uma condição médica geral (Critério C).

Os subtipos são oferecidos para indicar início (Ao Longo da Vida versus Adquirido), contexto (Generalizado versus Situacional) e fatores etiológicos (Devido a Fatores Psicológicos, Devido a Fatores Combinados), para Transtorno Orgásmico Feminino.

Não foi encontrada qualquer associação entre padrões específicos de traços de personalidade ou psicopatologia e disfunção orgásmica em mulheres. O Transtorno Orgásmico Feminino pode afetar a imagem corporal, a autoestima ou a satisfação com o relacionamento. De acordo com estudos controlados, a capacidade orgásmica não está correlacionada com dimensões vaginais ou vigor dos músculos pélvicos. Embora algumas mulheres com lesões da medula, remoção da vulva ou excisão e reconstrução vaginal tenham relatado orgasmos, uma disfunção orgásmica é encontrada com frequência em mulheres com estas condições.

Em geral, entretanto, as condições médicas crônicas como diabete ou câncer pélvico tendem mais a prejudicar a fase de excitação da resposta sexual, deixando a capacidade orgásmica relativamente intacta.

Uma vez que a capacidade orgásmica em mulheres aumenta com a idade, o Transtorno Orgásmico Feminino pode ser mais prevalente em mulheres mais jovens. A maioria dos transtornos orgásmicos femininos são ao longo da vida, ao invés de adquiridos.

Uma vez que aprenda a atingir o orgasmo, uma mulher raramente perderá esta capacidade, a menos que haja a interferência de uma fraca comunicação sexual, conflitos no relacionamento, uma experiência traumática (por ex., estupro), um Transtorno do Humor ou uma condição médica geral. Quando a disfunção orgásmica ocorre apenas em certas situações, uma dificuldade com o desejo sexual e a excitação sexual frequentemente estão presentes, além do transtorno orgásmico. Muitas mulheres aumentam sua capacidade orgásmica, à medida que experimentam uma maior variedade de estimulação e adquirem maior conhecimento sobre seus próprios corpos.

O Transtorno Orgásmico Feminino deve ser diferenciado de uma Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral. O diagnóstico apropriado é de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral, quando a disfunção é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos de uma determinada condição médica geral (por ex., lesão da medula). Esta determinação fundamenta-se na história, achados laboratoriais e exame físico. Se tanto um Transtorno Orgásmico Feminino quanto uma condição médica geral estão presentes, mas o clínico determina que a disfunção sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos da condição médica geral, então se aplica o diagnóstico de Transtorno Orgásmico Feminino Devido a Fatores Combinados.

Contrastando com o Transtorno Orgásmico Feminino, uma Disfunção Sexual Induzida por Substância é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., antidepressivos, benzodiazepínicos, neurolépticos, anti-hipertensivos, opióides). Se tanto Transtorno Orgásmico Feminino quanto o uso de uma substância estão presentes, mas o clínico considera que a disfunção sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos do uso da substância, então se aplica o diagnóstico de Transtorno Orgásmico Feminino Devido a Fatores Combinados. Se a disfunção sexual é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos tanto de uma condição médica geral quanto do uso de uma substância, aplicam-se os diagnósticos tanto de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quanto de Disfunção Sexual Induzida por Substância.

O Transtorno Orgásmico Feminino também pode ocorrer em associação com outras Disfunções Sexuais (por ex., Transtorno da Excitação Sexual Feminina), sendo que, neste caso, ambas as condições devem ser anotadas. Um diagnóstico adicional de Transtorno Orgásmico Feminino geralmente não é feito se a dificuldade para atingir o orgasmo é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (Transtorno Depressivo Maior). Este diagnóstico adicional pode ser feito quando a dificuldade orgásmica antecede o transtorno do Eixo I ou é um foco de atenção clínica independente. Problemas orgásmicos ocasionais, não persistentes ou recorrentes ou não acompanhados de acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal não são considerados Transtorno Orgásmico Feminino.

Um diagnóstico de Transtorno Orgásmico Feminino também não se aplica se os problemas se devem a uma estimulação sexual inadequada em termos de foco, intensidade e duração.

A. Atraso ou ausência persistente ou recorrente de orgasmo após uma fase normal de excitação sexual. As mulheres apresentam uma ampla variabilidade no tipo ou na intensidade da estimulação que leva ao orgasmo. O diagnóstico de Transtorno Orgásmico Feminino deve fundamentar-se no julgamento clínico de que a capacidade orgásmica da mulher é menor do que seria esperado para sua idade, experiência sexual e adequação da estimulação sexual que recebe.

B. A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

C. A disfunção orgásmica não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral.

Especificar tipo: Tipo Ao Longo da Vida / Tipo Adquirido ; Tipo Generalizado / Tipo Situacional ; Devido a Fatores Psicológicos / Combinados

| Transtorno Orgásmico Feminino

A característica essencial do Transtorno Orgásmico Feminino é um atraso, ou ausência persistente ou recorrente de orgasmo, após uma fase normal de excitação sexual (Critério A). As mulheres apresentam uma ampla variabilidade no tipo ou intensidade da estimulação que leva ao orgasmo. O diagnóstico de Transtorno Orgásmico Feminino deve fundamentar-se no julgamento clínico de que a capacidade orgásmica da mulher é menor do que se poderia esperar para sua idade, experiência sexual e adequação da estimulação sexual que recebe.

A perturbação deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério B). A disfunção não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (inclusive medicamentos) ou de uma condição médica geral (Critério C).

Os subtipos são oferecidos para indicar início (Ao Longo da Vida versus Adquirido), contexto (Generalizado versus Situacional) e fatores etiológicos (Devido a Fatores Psicológicos, Devido a Fatores Combinados), para Transtorno Orgásmico Feminino.

Não foi encontrada qualquer associação entre padrões específicos de traços de personalidade ou psicopatologia e disfunção orgásmica em mulheres. O Transtorno Orgásmico Feminino pode afetar a imagem corporal, a autoestima ou a satisfação com o relacionamento. De acordo com estudos controlados, a capacidade orgásmica não está correlacionada com dimensões vaginais ou vigor dos músculos pélvicos. Embora algumas mulheres com lesões da medula, remoção da vulva ou excisão e reconstrução vaginal tenham relatado orgasmos, uma disfunção orgásmica é encontrada com frequência em mulheres com estas condições.

Em geral, entretanto, as condições médicas crônicas como diabete ou câncer pélvico tendem mais a prejudicar a fase de excitação da resposta sexual, deixando a capacidade orgásmica relativamente intacta.

Uma vez que a capacidade orgásmica em mulheres aumenta com a idade, o Transtorno Orgásmico Feminino pode ser mais prevalente em mulheres mais jovens. A maioria dos transtornos orgásmicos femininos são ao longo da vida, ao invés de adquiridos.

Uma vez que aprenda a atingir o orgasmo, uma mulher raramente perderá esta capacidade, a menos que haja a interferência de uma fraca comunicação sexual, conflitos no relacionamento, uma experiência traumática (por ex., estupro), um Transtorno do Humor ou uma condição médica geral. Quando a disfunção orgásmica ocorre apenas em certas situações, uma dificuldade com o desejo sexual e a excitação sexual frequentemente estão presentes, além do transtorno orgásmico.

Muitas mulheres aumentam sua capacidade orgásmica, à medida que experimentam uma maior variedade de estimulação e adquirem maior conhecimento sobre seus próprios corpos.

O Transtorno Orgásmico Feminino deve ser diferenciado de uma Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral. O diagnóstico apropriado é de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral, quando a disfunção é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos de uma determinada condição médica geral (por ex., lesão da medula). Esta determinação fundamenta-se na história, achados laboratoriais e exame físico.

Se tanto um Transtorno Orgásmico Feminino quanto uma condição médica geral estão presentes, mas o clínico determina que a disfunção sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos da condição médica geral, então se aplica o diagnóstico de Transtorno Orgásmico Feminino Devido a Fatores Combinados. Contrastando com o Transtorno Orgásmico Feminino, uma Disfunção Sexual Induzida por Substância é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., antidepressivos, benzodiazepínicos, neurolépticos, anti-hipertensivos, opióides). Se tanto Transtorno Orgásmico Feminino quanto o uso de uma substância estão presentes, mas o clínico considera que a disfunção sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos do uso da substância, então se aplica o diagnóstico de Transtorno Orgásmico Feminino Devido a Fatores Combinados.

Se a disfunção sexual é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos tanto de uma condição médica geral quanto do uso de uma substância, aplicam-se os diagnósticos tanto de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quanto de Disfunção Sexual Induzida por Substância. O Transtorno Orgásmico Feminino também pode ocorrer em associação com outras Disfunções Sexuais (por ex., Transtorno da Excitação Sexual Feminina), sendo que, neste caso, ambas as condições devem ser anotadas. Um diagnóstico adicional de Transtorno Orgásmico Feminino geralmente não é feito se a dificuldade para atingir o orgasmo é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (Transtorno Depressivo Maior). Este diagnóstico adicional pode ser feito quando a dificuldade orgásmica antecede o transtorno do Eixo I ou é um foco de atenção clínica independente.

Problemas orgásmicos ocasionais, não persistentes ou recorrentes ou não acompanhados de acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal não são considerados Transtorno Orgásmico Feminino. Um diagnóstico de Transtorno Orgásmico Feminino também não se aplica se os problemas se devem a uma estimulação sexual inadequada em termos de foco, intensidade e duração.

A. Atraso ou ausência persistente ou recorrente de orgasmo após uma fase normal de excitação sexual. As mulheres apresentam uma ampla variabilidade no tipo ou na intensidade da estimulação que leva ao orgasmo. O diagnóstico de Transtorno Orgásmico Feminino deve fundamentar-se no julgamento clínico de que a capacidade orgásmica da mulher é menor do que seria esperado para sua idade, experiência sexual e adequação da estimulação sexual que recebe.

B. A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

C. A disfunção orgásmica não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral.

Especificar tipo: Tipo Ao Longo da Vida / Tipo Adquirido ; Tipo Generalizado / Tipo Situacional ; Devido a Fatores Psicológicos / Combinados

| Transtorno Orgásmico Masculino

A característica essencial do Transtorno Orgásmico Masculino é um atraso ou ausência persistente ou recorrente de orgasmo, após uma fase normal de excitação sexual. Ao julgar se o orgasmo é atrasado, o clínico deve levar em consideração a idade do indivíduo e se a estimulação é adequada em termos de foco, intensidade e duração (Critério A). A perturbação deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério B). A disfunção orgásmica não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (inclusive medicamentos) ou de uma condição médica geral (Critério C).

Na forma mais comum de Transtorno Orgásmico Masculino, um homem não consegue atingir o orgasmo durante o intercurso, embora possa ejacular com estimulação manual ou oral da parceira. Alguns homens com Transtorno Orgásmico Masculino podem atingir o orgasmo no coito, mas apenas depois de uma estimulação não-coital muito prolongada e intensa. Alguns conseguem ejacular apenas mediante a masturbação. Um subgrupo ainda menor experimenta orgasmo apenas ao despertar de um sonho erótico.

Os subtipos são oferecidos para indicar início (Ao Longo da Vida versus Adquirido), contexto (Generalizado versus Situacional) e fatores etiológicos (Devido a Fatores Psicológicos, Devido a Fatores Combinados), para Transtorno Orgásmico Masculino.

Muitos homens anorgásmicos no coito podem descrever que experimentam excitação no início de um encontro sexual, mas que as investidas da penetração tornam-se uma obrigação, ao invés de um prazer. Um padrão de excitação sexual parafílica pode estar presente. Quando um homem esconde da esposa sua falta de orgasmos no coito, o casal pode apresentar infertilidade de causa desconhecida. O transtorno pode resultar na perturbação de relacionamentos conjugais ou sexuais existentes.

Os homens geralmente podem chegar ao orgasmo mesmo quando condições vasculares ou neurológicas interferem na rigidez erétil. Tanto a sensação de orgasmo quanto as contrações dos músculos estriados no orgasmo permanecem intactas em homens que perdem sua próstata e vesículas seminais através de cirurgia radical para câncer de próstata. O orgasmo também pode ocorrer na ausência de emissão de sêmen (por ex., quando os gânglios simpáticos são lesionados por cirurgia ou neuropatia autônoma).

O Transtorno Orgásmico Masculino deve ser diferenciado de uma Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral. O diagnóstico apropriado é de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quando a disfunção é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos de uma determinada condição médica geral (por ex., hiperprolactinemia) (ver pp. 487-488). Esta determinação fundamenta-se na história, achados laboratoriais ou exame físico. Os testes do limiar sensorial podem demonstrar uma redução da sensibilidade na pele do pênis devido a uma condição neurológica (por ex., lesões da medula, neuropatias sensoriais).

Se tanto o Transtorno Orgásmico Masculino quanto uma condição médica geral estão presentes, mas o clínico julga que a disfunção sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos da condição médica geral, então se aplica o diagnóstico de Transtorno Orgásmico Masculino Devido a Fatores Combinados. Contrastando com o Transtorno Orgásmico Masculino, uma Disfunção Sexual Induzida por Substância é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., álcool, opióides, anti-hipertensivos, neurolépticos). Se tanto um Transtorno Orgásmico Masculino quanto o uso de uma substância estão presentes, mas o clínico julga que a disfunção sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos do uso da substância, aplica-se o diagnóstico de Transtorno Orgásmico Masculino Devido a Fatores Combinados.

Se a disfunção orgásmica é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos tanto de uma condição médica geral quanto do uso de uma substância, tanto Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quanto Disfunção Sexual Induzida por Substância são diagnosticadas. O Transtorno Orgásmico Masculino também pode ocorrer em associação com outras Disfunções Sexuais (por ex., Transtorno Erétil Masculino), sendo que, neste caso, devem ser anotadas ambas as condições. Um diagnóstico adicional de Transtorno Orgásmico Masculino em geral não é feito se a dificuldade orgásmica é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (por ex., Transtorno Depressivo Maior).

Um diagnóstico adicional pode ser feito quando a dificuldade orgásmica antecede o transtorno do Eixo I ou é o foco de atenção clínica independente. Diversos tipos de Disfunção Sexual (por ex., ejaculação, mas sem prazer no orgasmo, orgasmo que ocorre sem ejaculação de sêmen ou com extravasamento de sêmen ao invés de ejaculação por propulsão) seriam diagnosticados como Disfunção Sexual Sem Outra Especificação, ao invés de Transtorno Orgásmico Masculino.

Problemas orgásmicos ocasionais não persistentes ou recorrentes ou não acompanhados de sofrimento acentuado ou dificuldade interpessoal não são considerados Transtorno Orgásmico Masculino. À medida que os homens envelhecem, é necessário um período maior de estimulação para atingir o orgasmo. O clínico também deve determinar se existe suficiente estimulação para atingir o orgasmo.

A. Atraso ou ausência persistente ou recorrente de orgasmo após uma fase normal de excitação sexual durante a atividade sexual, que o clínico julga adequada em termos de foco, intensidade e duração, levando em consideração a idade da pessoa.

B. A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

C. A disfunção orgásmica não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral.

Especificar tipo: Tipo Ao Longo da Vida / Tipo Adquirido ; Tipo Generalizado / Tipo Situacional; Devido a Fatores Psicológicos /Fatores Combinados

| Ejaculação Precoce

A característica essencial da Ejaculação Precoce é o início persistente ou recorrente de orgasmo e ejaculação com estimulação mínima antes, durante ou logo após a penetração e antes que o indivíduo o deseje (Critério A).

O clínico deve levar em consideração fatores que afetam a duração da fase de excitação, tais como idade, novidade da parceira sexual ou situação e frequência recente da atividade sexual. A maioria dos homens com este transtorno consegue retardar o orgasmo durante a automasturbação por um tempo consideravelmente maior do que durante o coito. As estimativas dos parceiros quanto ao tempo transcorrido desde o início da atividade sexual até a ejaculação, bem como sobre o fato de a Ejaculação Precoce ser ou não um problema, podem apresentar grande disparidade. A perturbação deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério B).

A Ejaculação Precoce não se deve exclusivamente aos efeitos diretos de uma substância (por ex., abstinência de opióides) (Critério C).

Os subtipos são oferecidos para indicar início (Ao Longo da Vida versus Adquirido), contexto (Generalizado versus Situacional) e fatores etiológicos (Devido a Fatores Psicológicos, Devido a Fatores Combinados) para Ejaculação Precoce.

Como outras Disfunções Sexuais, a Ejaculação Precoce pode criar tensão em um relacionamento. Alguns homens solteiros hesitam em procurar novas parceiras por medo do embaraço causado pelo transtorno, o que pode contribuir para o isolamento social.

A maioria dos homens jovens aprende a protelar o orgasmo com a experiência sexual e aumento da idade, mas alguns continuam ejaculando precocemente e podem buscar auxílio para o transtorno. Alguns homens são capazes de retardar a ejaculação em um relacionamento a longo prazo, mas experimentam uma recorrência da Ejaculação Precoce quando com um novo parceiro. Tipicamente, a Ejaculação Precoce é encontrada em homens jovens e está presente desde suas primeiras tentativas de intercurso.

Quando o início ocorre após um período de um funcionamento sexual adequado, o contexto comumente envolve uma redução da frequência da atividade sexual, intensa ansiedade quanto ao desempenho com uma nova parceira ou perda do controle ejaculatório relacionada à dificuldade em obter ou manter ereções. Alguns homens que cessaram o uso regular de álcool podem desenvolver Ejaculação Precoce porque se basearam no hábito de consumir álcool para adiar o orgasmo, ao invés de aprenderem estratégias comportamentais.

A Ejaculação Precoce deve ser diferenciada de uma disfunção erétil relacionada ao desenvolvimento de uma condição médica geral. Alguns indivíduos com disfunção erétil podem omitir suas estratégias habituais de postergação do orgasmo. Outros necessitam de prolongada estimulação não coital para desenvolverem o grau de ereção suficiente para a penetração. Nestes indivíduos, a excitação sexual pode ser tão intensa que a ejaculação ocorre imediatamente. Problemas ocasionais de ejaculação precoce, não persistentes ou recorrentes ou não acompanhados de sofrimento acentuado ou dificuldade interpessoal, não se qualificam para o diagnóstico de Ejaculação Precoce.

O clínico também deve levar em consideração a idade, experiência sexual geral, atividade sexual recente do indivíduo e novidade da parceira. Quando os problemas de Ejaculação Precoce se devem exclusivamente ao uso de uma substância (por ex., Abstinência de Opióide), aplica-se o diagnóstico de Disfunção Sexual Induzida por Substância.

A. Ejaculação persistente ou recorrente com estimulação sexual mínima antes, durante ou logo após a penetração, antes que o indivíduo o deseje. O clínico deve levar em consideração os fatores que afetam a duração da fase de excitação, tais como idade, novidade da parceira ou situação sexual e frequência da atividade sexual recente.

B. A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

C. A ejaculação precoce não se deve exclusivamente aos efeitos diretos de uma substância (por ex., abstinência de opióides). Especificar tipo: Tipo Ao Longo da Vida Tipo Adquirido

Especificar tipo: Tipo Generalizado / Tipo Situacional Especificar ; Devido a Fatores Psicológicos / Fatores Combinados

| Dispareunia

A característica essencial da Dispareunia é dor genital associada com o intercurso sexual (Critério A). Embora a dor seja experimentada com maior frequência durante o coito, ela também pode ocorrer antes ou após o intercurso. O transtorno pode ocorrer tanto em homens quanto em mulheres. Em mulheres, a dor pode ser descrita como superficial, durante a penetração, ou profunda, durante as investidas do pênis.

A intensidade dos sintomas pode variar desde um leve desconforto até uma dor aguda. A perturbação deve provocar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério B). O distúrbio não é causado exclusivamente por Vaginismo ou falta de lubrificação, não é melhor explicado por outro transtorno do Eixo I (exceto por outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral (Critério C).

Os subtipos são oferecidos para indicar início (Ao Longo da Vida versus Adquirido), contexto (Generalizado versus Situacional) e fatores etiológicos (Devido a Fatores Psicológicos, Devido a Fatores Combinados) para Dispareunia.

A Dispareunia raramente é a queixa principal nos contextos de saúde mental. Os indivíduos com Dispareunia tipicamente buscam tratamento em contextos médicos gerais. O exame físico dos indivíduos com este transtorno tipicamente não demonstra anormalidades genitais. A experiência repetida de dor genital durante o coito pode provocar a esquiva de experiências sexuais, perturbando relacionamentos sexuais existentes ou limitando o desenvolvimento de novos.

A limitada quantidade de informações disponíveis sugere que o curso da Dispareunia tende a ser crônico.

A Dispareunia deve ser diferenciada de uma Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral. O diagnóstico apropriado é de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quando a disfunção é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos de determinada condição médica geral (por ex., lubrificação vaginal insuficiente; patologia pélvica, como infeções vaginais ou do trato urinário, tecido vaginal com cicatrizes, endometriose ou aderências; atrofia vaginal pós-menopausa; privação temporária de estrógeno durante a lactação; irritação ou infeção do trato urinário, ou condições gastrintestinais). Esta determinação baseia-se na história, achados laboratoriais ou exame físico.

Se tanto Dispareunia quanto uma condição médica geral estão presentes, mas o clínico considera que a disfunção sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos da condição médica geral, então se aplica um diagnóstico de Dispareunia Devido a Fatores Combinados. Contrastando com a Dispareunia, uma Disfunção Sexual Induzida por Substância é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos diretos de uma substância. Um orgasmo doloroso tem sido relatado com flufenazina, tioridazina e amoxapina. Se tanto Dispareunia quanto o uso de uma substância estão presentes, mas o clínico julga que a Dispareunia sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos do uso da substância, então é diagnosticada Dispareunia Devido a Fatores Combinados.

Se a dor sexual é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos tanto de uma condição médica geral quanto do uso de uma substância, tanto Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quanto Disfunção Sexual Induzida por Substância são diagnosticadas. A Dispareunia não é diagnosticada se causada exclusivamente por Vaginismo ou falta de lubrificação. Um diagnóstico adicional de Dispareunia em geral não é feito se a disfunção sexual é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (por ex., Transtorno de Somatização). O diagnóstico adicional pode ser feito quando a dificuldade orgásmica antecede o transtorno do Eixo I ou se é um foco de atenção clínica independente.

A Dispareunia também pode ocorrer em associação com outras Disfunções Sexuais (exceto Vaginismo) e, se os critérios para ambas são satisfeitos, ambas as condições devem ser codificadas. A dor ocasional associada com o intercurso sexual, não persistente ou recorrente ou não acompanhada de acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal, não é considerada Dispareunia.

A. Dor genital recorrente ou persistente associada com o intercurso sexual em homem ou mulher.

B. A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

C. A perturbação não é causada exclusivamente por Vaginismo ou falta de lubrificação, não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral.

Especificar tipo: Tipo Ao Longo da Vida / Tipo Adquirido ;Tipo Generalizado /Tipo Situacional; Devido a Fatores Psicológicos / Fatores Combinados

| Vaginismo

A característica essencial do Vaginismo é a contração involuntária, recorrente ou persistente, dos músculos do períneo adjacentes ao terço inferior da vagina, quando é tentada a penetração vaginal com pênis, dedo, tampão ou espéculo (Critério A). A perturbação deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério B). A perturbação não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto por outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica geral (Critério C).

Em algumas mulheres, até mesmo a previsão da penetração vaginal pode provocar espasmo muscular. A contração pode variar desde leve, induzindo alguma tensão e desconforto, até severa, impedindo a penetração.

Os subtipos são oferecidos para indicar início (Ao Longo da Vida versus Adquirido), contexto (Generalizado versus Situacional) e fatores etiológicos (Devido a Fatores Psicológicos, Devido a Fatores Combinados) para o Vaginismo.

As respostas sexuais (por ex., desejo, prazer, capacidade orgásmica) podem não estar prejudicadas, a menos que a penetração seja tentada ou prevista. A obstrução física devido à contração muscular geralmente impede o coito. A condição, portanto, pode limitar o desenvolvimento de relacionamentos sexuais e perturbar relacionamentos existentes. Casos de casamentos não consumados e infertilidade estão associados com esta condição. O diagnóstico frequentemente é feito durante exames ginecológicos de rotina, quando a resposta ao exame pélvico acarreta prontamente uma contração facilmente observada do introito vaginal.

Em alguns casos, a intensidade da contração pode ser tão severa ou prolongada a ponto de provocar dor. Entretanto, o Vaginismo ocorre em algumas mulheres durante a atividade sexual, mas não durante o exame ginecológico. O transtorno é encontrado com maior frequência em mulheres mais jovens, em mulheres com atitudes negativas com relação ao sexo e em mulheres com uma história de abuso ou traumas sexuais.

O Vaginismo ao longo da vida em geral tem um início súbito, manifestando-se pela primeira vez durante as tentativas iniciais de penetração sexual por um parceiro ou durante o primeiro exame ginecológico. Estabelecido o transtorno, o curso geralmente é crônico, a menos que atenuado por tratamento. O Vaginismo adquirido também pode ocorrer subitamente, em resposta a um trauma sexual ou a uma condição médica geral.

O Vaginismo deve ser diferenciado de uma Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral. O diagnóstico apropriado é de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quando a disfunção é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos de uma determinada condição médica geral (por ex., endometriose ou infeção vaginal).

Esta determinação fundamenta-se na história, achados laboratoriais ou exame físico. O Vaginismo pode persistir como um problema residual após a resolução da condição médica geral. Se tanto Vaginismo quanto uma condição médica geral estão presentes, mas o clínico julga que os espasmos vaginais não se devem exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos da condição médica geral, aplica-se um diagnóstico de Vaginismo Devido a Fatores Combinados.

O Vaginismo também pode ocorrer em associação com outras Disfunções Sexuais (por ex., Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo), sendo que, neste caso, ambas as condições devem ser anotadas. Embora possa ocorrer dor associada com o intercurso sexual no Vaginismo, não se faz um diagnóstico adicional de Dispareunia. Um diagnóstico adicional de Vaginismo em geral não é feito se os espasmos vaginais são melhor explicados por outro transtorno do Eixo I (por ex., Transtorno de Somatização).

O diagnóstico adicional pode ser feito quando os espasmos vaginais antecedem o transtorno do Eixo I ou são um foco de atenção clínica independente.

A. Espasmo involuntário, recorrente ou persistente da musculatura do terço inferior da vagina, que interfere no intercurso sexual.

B. A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

C. A perturbação não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (por ex., Transtorno de Somatização), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica geral.

Especificar tipo: Tipo Ao Longo da Vida / Tipo Adquirido; Tipo Generalizado / Tipo Situacional ; Devido a Fatores Psicológicos / Fatores Combinados

| Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral

A característica essencial da Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral é a presença de uma disfunção sexual clinicamente significativa, considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica geral. A disfunção sexual pode envolver dor associada com o intercurso, desejo sexual hipoativo, disfunção erétil masculina ou outras formas de disfunção sexual (por ex., Transtornos Orgásmicos) e deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério A). Deve haver evidências, a partir da história, exame físico ou achados laboratoriais, de que a disfunção é plenamente explicada pelos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica geral (Critério B). A perturbação não é melhor explicada por outro transtorno mental (por ex., Transtorno Depressivo Maior) (Critério C).

Ao determinar se a disfunção sexual se deve exclusivamente a uma condição médica geral, o clínico deve estabelecer, em primeiro lugar, a presença de uma condição médica geral. Além disso, deve estabelecer uma relação etiológica entre a disfunção sexual e a condição médica geral, através de um mecanismo fisiológico. Uma avaliação atenta e abrangente de múltiplos fatores é necessária para esta determinação. Embora não existam diretrizes infalíveis para determinar o caráter etiológico do relacionamento entre a disfunção sexual e a condição médica geral, algumas considerações servem de orientação a este respeito. Uma delas é a presença de uma associação temporal entre o início, a exacerbação ou remissão da condição médica geral e da disfunção sexual. Uma segunda consideração é a presença de características atípicas de uma Disfunção Sexual primária (por ex., idade de início ou curso atípicos).

Evidências da literatura, sugerindo a possível existência de uma associação direta entre a condição médica geral em questão e o desenvolvimento da disfunção sexual, podem oferecer um contexto útil na avaliação de uma determinada situação. Além disso, o clínico também deve julgar que a perturbação não é melhor explicada por uma Disfunção Sexual primária, uma Disfunção Sexual Induzida por Substância ou um outro transtorno mental primário (por ex., Transtorno Depressivo Maior). Essas determinações são explicadas em maiores detalhes na seção “Transtornos Mentais Devido a uma Condição Médica Geral”.

Em contrapartida, um diagnóstico de Disfunção Sexual com o subtipo “Devido a Fatores Combinados” é feito no caso de um suposto papel etiológico de uma combinação de fatores psicológicos e uma condição médica geral ou uma substância, sem que nenhuma etiologia isolada seja suficiente para explicar a disfunção.

O código e os termos diagnósticos para uma Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral são selecionados com base na Disfunção Sexual predominante. Os termos listados abaixo devem ser usados ao invés da rubrica geral “Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral”. N94.8 – 625.8 Transtorno de Desejo Sexual Feminino Hipoativo Devido a… [Indicar a Condição Médica Geral]. Este termo é usado se, em uma mulher, a característica predominante é uma deficiência ou ausência de desejo sexual.

– Transtorno de Desejo Sexual Masculino Hipoativo Devido a… [Indicar a Condição Médica Geral]. Este termo é usado se, em um homem, a característica predominante é uma deficiência ou ausência de desejo sexual.

–  Transtorno Erétil Masculino Devido a… [Indicar a Condição Médica Geral]. Este termo é usado se a característica predominante é uma disfunção erétil masculina.

– Dispareunia Feminina Devido a… [Indicar a Condição Médica Geral]. Este termo é usado se, em uma mulher, a característica predominante é a dor associada com o intercurso.

– Dispareunia Masculina Devido a… [Indicar a Condição Médica Geral]. Este termo é usado se, em um homem, a característica predominante é a dor associada com intercurso.

– Outra Disfunção Sexual Feminina Devido a… [Indicar a Condição Médica Geral]. Este termo é usado se, em uma mulher, predomina alguma outra característica (por ex., Transtorno Orgásmico), ou nenhuma.

– Outra Disfunção Sexual Masculina Devido a… [Indicar a Condição Médica Geral]. Este termo é usado se, em um homem, predomina alguma outra característica (por ex., Transtorno Orgásmico), ou nenhuma.

Uma variedade de condições médicas gerais pode causar disfunção sexual, compreendendo condições neurológicas (por ex., esclerose múltipla, lesões medulares, neuropatia, lesões do lobo temporal), condições endócrinas (por ex., diabete melito, hipotiroidismo, hiper e hipoadrenocorticismo, hiperprolactinemia, estados hipogonadais, disfunção pituitária), condições vasculares e condições geniturinárias [490](por ex., doença testicular, doença de Peyronie, infeções da uretra, complicações pós-prostatectomia, lesão ou infeção genital, vaginite atrófica, infeções da vagina e genitália externa, complicações pós-cirúrgicas como cicatrizes de episiotomia, vagina atrófica, cistite, endometriose, prolapso uterino, infeções pélvicas, neoplasmas).

Uma Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral é diagnosticada apenas se a disfunção sexual é plenamente explicada pelos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica geral. Se fatores psicológicos também desempenham um papel no início, gravidade, exacerbação ou manutenção de uma disfunção sexual, diagnostica-se a Disfunção Sexual primária (com o subtipo Devido a Fatores Combinados).

Uma anamnese psicossexual ou médica abrangente é o componente mais importante da avaliação, ao determinar se a disfunção sexual é primária ou exclusivamente decorrente dos efeitos diretos de uma condição médica geral. Para homens, testes como tumescência peniana noturna, estudos vasculares e injeção de ativadores teciduais podem ser úteis na avaliação. Um atento exame ginecológico é importante em mulheres, especialmente na avaliação de Transtornos de Dor Sexual. Uma avaliação neurológica e endócrina pode ser útil, para homens e mulheres. Se existem evidências do uso recente ou prolongado de uma substância (inclusive medicamentos), abstinência de substância ou exposição a uma toxina, e de que a disfunção sexual é plenamente explicada pelos efeitos diretos da substância, uma Disfunção Sexual Induzida por Substância deve ser considerada. Cabe ao clínico investigar com atenção a natureza e extensão do uso de substâncias, inclusive medicamentos.

Os sintomas que ocorrem durante ou logo após (isto é, dentro de 4 semanas) uma Intoxicação com Substância ou após o uso de medicamentos podem ser especialmente indicativos de uma Disfunção Sexual Induzida por Substância, dependendo do tipo ou quantidade da substância usada ou duração do uso. Se o clínico determinar que a disfunção sexual se deve tanto a uma condição médica geral quanto ao uso de uma substância, podem ser dados ambos os diagnósticos (isto é, Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral e Disfunção Sexual Induzida por Substância). Desejo sexual hipoativo, disfunção da excitação e, em menor grau, disfunção orgásmica também podem ocorrer como sintomas de um Transtorno Depressivo Maior. No Transtorno Depressivo Maior, não é possível demonstrar qualquer mecanismo fisiopatológico específico e diretamente causal associado com uma condição médica geral.

A Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral deve ser diferenciada da redução do interesse e funcionamento sexual decorrente do envelhecimento.

A. Predomina no quadro clínico uma disfunção sexual clinicamente significativa que tem como resultado um acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

B. Existem evidências, a partir da história, exame físico ou achados laboratoriais, de que a disfunção sexual é plenamente explicada pelos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica geral.

C. A perturbação não é melhor explicada por outro transtorno mental (por ex., Transtorno Depressivo Maior).

| Disfunção Sexual Induzida por Substância

A característica essencial da Disfunção Sexual Induzida por Substância é uma disfunção sexual clinicamente significativa que tem como resultado um acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério A). Dependendo da substância envolvida, a disfunção pode envolver prejuízo do desejo, da excitação, do orgasmo ou dor sexual.

A disfunção é considerada plenamente explicada pelos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (droga de abuso, medicamento ou exposição a uma toxina) (Critério B). A perturbação não deve ser melhor explicada por uma Disfunção Sexual não induzida por substância (Critério C). Este diagnóstico deve ser feito ao invés de um diagnóstico de Intoxicação com Substância apenas quando os sintomas sexuais excedem aqueles habitualmente associados com a síndrome de intoxicação e quando são suficientemente severos para indicar uma atenção clínica independente. Uma Disfunção Sexual Induzida por Substância distingue-se de uma Disfunção Sexual primária pela consideração do início e do curso. Deve haver evidências de intoxicação com drogas de abuso pela história, exame físico ou achados laboratoriais. Uma Disfunção Sexual Induzida por Substância surge apenas em associação com a intoxicação, enquanto Disfunções Sexuais primárias podem preceder o início do uso da substância ou ocorrer durante períodos de abstinência prolongada da substância.

Os fatores sugestivos de que a disfunção é melhor explicada por uma Disfunção Sexual primária incluem persistência da disfunção por um período substancial de tempo (isto é, cerca de 1 mês) após o término da Intoxicação com Substância; desenvolvimento de uma disfunção substancialmente excessiva ao que seria esperado, tendo em vista o tipo ou a quantidade da substância usada ou a duração do uso, ou uma história de Disfunções Sexuais primárias recorrentes.

Os seguintes especificadores para Disfunção Sexual Induzida por Substância são selecionados com base na disfunção sexual predominante. Embora a apresentação clínica da disfunção sexual possa assemelhar-se à de uma Disfunção Sexual primária específica, não precisam ser satisfeitos todos os critérios para um desses transtornos.

– Com Prejuízo do Desejo – Este especificador é usado se a característica predominante é uma deficiência ou ausência de desejo sexual.

– Com Prejuízo da Excitação – Este especificador é usado se a característica predominante é um prejuízo na excitação sexual (por ex., disfunção erétil, prejuízo na lubrificação). Com Prejuízo do Orgasmo. Este especificador é usado se a característica predominante é um prejuízo no orgasmo.

– Com Dor Sexual – Este especificador é usado se a característica predominante é dor associada com o intercurso. As Disfunções Sexuais Induzidas por Substâncias em geral têm seu início durante a Intoxicação com Substância, podendo isto ser indicado pela anotação Com Início Durante Intoxicação.

Disfunções Sexuais podem ocorrer associadas à intoxicação com as seguintes classes de substâncias: álcool; anfetamina e substâncias correlatas; cocaína; opióides; sedativos, hipnóticos e ansiolíticos; outra substância ou substância desconhecida. A intoxicação aguda ou o uso crônico de substâncias de abuso diminui o interesse sexual e pode criar problemas em ambos os sexos.

Uma redução do interesse sexual (mais comum em homens) também pode ser causada por medicamentos prescritos, incluindo anti-hipertensivos, antagonistas dos recetores H2 de histamina, antidepressivos, neurolépticos, ansiolíticos, esteróides anabolizantes e anticonvulsivantes. Um orgasmo doloroso tem sido relatado com flufenazina, tioridazina e amoxapina. Há relatos de priapismo com o uso de clorpromazina, trazodona e clozapina e após injeções penianas de papaverina e prostaglandina.

Os bloqueadores da recaptação de serotonina podem provocar uma redução do desejo sexual ou transtornos da excitação. Medicamentos tais como agentes anti-hipertensivos ou esteróides anabolizantes também podem promover um humor depressivo ou irritável além da disfunção sexual, e um diagnóstico adicional de Transtorno do Humor Induzido por Substância pode ser indicado. A experiência clínica atual sugere vigorosamente que uma Disfunção Sexual Induzida por Substância é habitualmente generalizada.

Disfunções sexuais ocorrem comumente na Intoxicação com Substância. O diagnóstico de Intoxicação com a substância específica em geral será suficiente para categorizar a apresentação sintomática. Um diagnóstico de Disfunção Sexual Induzida por Substância deve ser feito ao invés de um diagnóstico de Intoxicação com Substância apenas quando a disfunção é considerada excessiva em relação àquela habitualmente associada à síndrome de intoxicação e quando os sintomas são suficientemente severos para indicar uma atenção clínica independente. Se fatores psicológicos também desempenham um papel no início, gravidade, exacerbação ou manutenção da disfunção sexual, o diagnóstico é de Disfunção Sexual primária (com o subtipo Devido a Fatores Combinados).

Uma Disfunção Sexual Induzida por Substância distingue-se de uma Disfunção Sexual primária pelo fato de os sintomas serem plenamente explicados pelos efeitos diretos de uma substância. Uma Disfunção Sexual Induzida por Substância devido a um tratamento prescrito para um transtorno mental ou uma condição médica geral deve ter seu início enquanto a pessoa está tomando o medicamento (por ex. anti-hipertensivo). Interrompido o tratamento, a disfunção sexual apresenta remissão dentro de alguns dias a algumas semanas (dependendo da meia-vida da substância).

Se a disfunção sexual persistir, outras causas para a condição devem ser consideradas. Os efeitos colaterais de medicamentos prescritos que afetam o funcionamento sexual podem levar os indivíduos a uma desobediência ao tratamento medicamentoso, quando estes valorizam o desempenho sexual acima dos benefícios do medicamento. Uma vez que os indivíduos com condições médicas gerais com frequência tomam medicamentos para essas condições, o clínico deve considerar a possibilidade de a disfunção sexual ser causada pelas consequências fisiológicas da condição médica geral, ao invés do medicamento; neste caso, aplica-se o diagnóstico de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral. A história frequentemente oferece a base principal para este julgamento. Às vezes, uma mudança no tratamento da condição médica geral (por ex., substituição ou suspensão de um medicamento) pode ser necessária, para determinar empiricamente, em determinada pessoa, se o medicamento é o agente causal. Se o clínico determinar que a disfunção se deve tanto a uma condição médica geral quanto ao uso de uma substância, aplicam-se ambos os diagnósticos (isto é, Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral e Disfunção Sexual Induzida por Substância).

Quando existem evidências insuficientes para determinar se a Disfunção Sexual se deve a uma substância (inclusive medicamento), a uma condição médica geral ou se é primária (isto é, não devido a uma substância ou a uma condição médica geral), indica-se um diagnóstico de Disfunção Sexual Sem Outra Especificação.

A. Predomina no quadro clínico uma disfunção sexual clinicamente significativa, que tem como resultado um acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

B. Existem evidências, a partir da história, exame físico ou achados laboratoriais, de que a disfunção sexual é plenamente explicada pelo uso de uma substância, o que se manifesta por (1) ou (2):

(1) os sintomas no Critério A desenvolveram-se durante ou dentro de um mês após a Intoxicação com Substância

(2) o uso de um medicamento está etiologicamente relacionado com a perturbação

C. A perturbação não é melhor explicada por uma Disfunção Sexual não induzida por substância. As evidências de que os sintomas são melhor explicados por uma Disfunção Sexual não induzida por substância podem incluir as seguintes: os sintomas precedem o início do uso ou a dependência da substância (ou o uso do medicamento); os sintomas persistem por um período substancial de tempo (por ex., cerca de 1 mês) após a cessação da intoxicação, ou excedem substancialmente aqueles que seriam esperados, dado o tipo ou a quantidade da substância usada ou a duração de seu uso; ou existem outras evidências sugerindo a existência de uma Disfunção Sexual independente, não induzida por substância (por ex., uma história de episódios recorrentes não relacionados à substância). Nota para a codificação: Este diagnóstico deve ser feito ao invés de um diagnóstico de Intoxicação com Substância apenas quando a disfunção sexual excede aquela habitualmente associada à síndrome de intoxicação e quando a disfunção é suficientemente severa para indicar uma atenção clínica independente.

| Dispareunia (Não Devido a uma Condição Médica Geral)

A característica essencial da Dispareunia é dor genital associada com o intercurso sexual (Critério A). Embora a dor seja experimentada com maior frequência durante o coito, ela também pode ocorrer antes ou após o intercurso. O transtorno pode ocorrer tanto em homens quanto em mulheres. Em mulheres, a dor pode ser descrita como superficial, durante a penetração, ou profunda, durante as investidas do pênis.

A intensidade dos sintomas pode variar desde um leve desconforto até uma dor aguda. A perturbação deve provocar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (Critério B). O distúrbio não é causado exclusivamente por Vaginismo ou falta de lubrificação, não é melhor explicado por outro transtorno do Eixo I (exceto por outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral (Critério C).

Os subtipos são oferecidos para indicar início (Ao Longo da Vida versus Adquirido), contexto (Generalizado versus Situacional) e fatores etiológicos (Devido a Fatores Psicológicos, Devido a Fatores Combinados) para Dispareunia.

A Dispareunia raramente é a queixa principal nos contextos de saúde mental. Os indivíduos com Dispareunia tipicamente buscam tratamento em contextos médicos gerais. O exame físico dos indivíduos com este transtorno tipicamente não demonstra anormalidades genitais. A experiência repetida de dor genital durante o coito pode provocar a esquiva de experiências sexuais, perturbando relacionamentos sexuais existentes ou limitando o desenvolvimento de novos.

A limitada quantidade de informações disponíveis sugere que o curso da Dispareunia tende a ser crônico.

A Dispareunia deve ser diferenciada de uma Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral. O diagnóstico apropriado é de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quando a disfunção é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos de determinada condição médica geral (por ex., lubrificação vaginal insuficiente; patologia pélvica, como infeções vaginais ou do trato urinário, tecido vaginal com cicatrizes, endometriose ou aderências; atrofia vaginal pós-menopausa; privação temporária de estrógeno durante a lactação; irritação ou infeção do trato urinário, ou condições gastrintestinais). Esta determinação baseia-se na história, achados laboratoriais ou exame físico. Se tanto Dispareunia quanto uma condição médica geral estão presentes, mas o clínico considera que a disfunção sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos da condição médica geral, então se aplica um diagnóstico de Dispareunia Devido a Fatores Combinados. Contrastando com a Dispareunia, uma Disfunção Sexual Induzida por Substância é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos diretos de uma substância. Um orgasmo doloroso tem sido relatado com flufenazina, tioridazina e amoxapina. Se tanto Dispareunia quanto o uso de uma substância estão presentes, mas o clínico julga que a Dispareunia sexual não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos do uso da substância, então é diagnosticada Dispareunia Devido a Fatores Combinados. Se a dor sexual é considerada exclusivamente decorrente dos efeitos fisiológicos tanto de uma condição médica geral quanto do uso de uma substância, tanto Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral quanto Disfunção Sexual Induzida por Substância são diagnosticadas. A Dispareunia não é diagnosticada se causada exclusivamente por Vaginismo ou falta de lubrificação. Um diagnóstico adicional de Dispareunia em geral não é feito se a disfunção sexual é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (por ex., Transtorno de Somatização). O diagnóstico adicional pode ser feito quando a dificuldade orgásmica antecede o transtorno do Eixo I ou se é um foco de atenção clínica independente. A Dispareunia também pode ocorrer em associação com outras Disfunções Sexuais (exceto Vaginismo) e, se os critérios para ambas são satisfeitos, ambas as condições devem ser codificadas. A dor ocasional associada com o intercurso sexual, não persistente ou recorrente ou não acompanhada de acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal, não é considerada Dispareunia.

A. Dor genital recorrente ou persistente associada com o intercurso sexual em homem ou mulher.

B. A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

C. A perturbação não é causada exclusivamente por Vaginismo ou falta de lubrificação, não é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (exceto outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral.

Especificar tipo: Tipo Ao Longo da Vida / Tipo Adquirido ; Tipo Generalizado / Tipo Situacional ; Devido a Fatores Psicológicos / Combinados

| Parafilias

As Parafilias são caracterizadas por anseios, fantasias ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos que envolvem objetos, atividades ou situações incomuns e causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Os Transtornos da Identidade de Gênero caracterizam-se por uma forte identificação sexual com o gênero oposto, acompanhada por desconforto persistente com o próprio sexo atribuído. O Transtorno Sexual Sem Outra Especificação é incluído para a codificação de transtornos do funcionamento sexual não classificáveis em qualquer das categorias específicas. Cabe notar que as noções de desvio, padrões de desempenho sexual e conceitos de papel apropriado para o gênero podem variar entre as culturas.

As características essenciais de uma parafilia consistem de fantasias, anseios sexuais ou comportamentos recorrentes, intensos e sexualmente excitantes, em geral envolvendo

1) objetos não-humanos;

2) sofrimento ou humilhação, próprios ou do parceiro, ou

3) crianças ou outras pessoas sem o seu consentimento, tudo isso ocorrendo durante um período mínimo de 6 meses (Critério A).

Em alguns indivíduos, as fantasias ou estímulos parafílicos são obrigatórios para a excitação erótica e sempre incluídos na atividade sexual. Em outros casos, as preferências parafílicas ocorrem apenas episodicamente (por ex., talvez durante períodos de estresse), ao passo que em outros momentos o indivíduo é capaz de funcionar sexualmente sem fantasias ou estímulos parafílicos. O comportamento, os anseios sexuais ou as fantasias causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo (Critério B). A imaginação parafílica pode ser posta em ação com um parceiro sem o seu consentimento de modo a causar-lhe danos (como no Sadismo Sexual ou na Pedofilia), podendo o indivíduo estar sujeito à detenção ou prisão. As ofensas sexuais contra crianças constituem uma parcela significativa dos atos sexuais criminosos, sendo que os indivíduos com Exibicionismo, Pedofilia e Voyeurismo perfazem a maioria dos agressores sexuais presos. Em algumas situações, a ação sob a influência da imaginação parafílica pode acarretar ferimentos auto-infligidos (como no Masoquismo Sexual).

Os relacionamentos sociais e sexuais podem ser prejudicados se as outras pessoas consideram vergonhoso ou repugnante o comportamento sexual incomum ou se o parceiro sexual do indivíduo recusa-se a cooperar com suas preferências sexuais incomuns. Em alguns casos, o comportamento incomum (por ex., atos exibicionistas ou coleção de fetiches) pode tornar-se a principal atividade sexual na vida do indivíduo. Esses indivíduos raramente buscam auxílio por sua própria conta, geralmente chegando à atenção dos profissionais de saúde mental apenas quando seu comportamento provocou conflitos com parceiros sexuais ou com a sociedade. As Parafilias aqui descritas são condições especificamente identificadas por classificações anteriores. Elas incluem Exibicionismo (exposição dos genitais), Fetichismo (uso de objetos inanimados), Frotteurismo (tocar e esfregar-se em uma pessoa sem o seu consentimento), Pedofilia (foco em crianças pré-púberes), Masoquismo Sexual (ser humilhado ou sofrer), Sadismo Sexual (infligir humilhação ou sofrimento), Fetichismo Transvéstico (vestir-se com roupas do sexo oposto) e Voyeurismo (observar atividades sexuais).

Uma categoria residual, Parafilia Sem Outra Especificação, inclui outras Parafilias encontradas com menor frequência. Não raro, os indivíduos têm mais de uma Parafilia.

Características descritivas e transtornos mentais associados. O estímulo preferido, mesmo dentro de determinada Parafilia, pode ser altamente específico. Os indivíduos que não dispõem de um parceiro consensual com quem possam atuar suas fantasias podem recorrer aos serviços da prostituição ou atuar suas fantasias contra a vontade de suas vítimas.

Os indivíduos com uma Parafilia podem escolher uma profissão ou desenvolver um passatempo ou trabalho voluntário que os coloque em contato com o estímulo desejado (por ex., vender sapatos ou roupas íntimas femininas [Fetichismo], trabalhar com crianças [Pedofilia] ou dirigir uma ambulância [Sadismo Sexual]. Eles podem ver, ler, comprar ou colecionar seletivamente fotografias, filmes e textos que enfocam seu tipo preferido de estímulo parafílico. Muitos indivíduos com esses transtornos afirmam que o comportamento não lhes causa sofrimento e que seu único problema é a disfunção sexual resultante da reação de outras pessoas a seu comportamento. Outros relatam extrema culpa, vergonha e depressão pela necessidade de se envolverem em uma atividade sexual incomum que é socialmente inaceitável ou que eles próprios consideram imoral. Existe, frequentemente, um prejuízo da capacidade de ter uma atividade sexual recíproca e afetuosa, podendo ocorrer Disfunções Sexuais.

Distúrbios da personalidade também são frequentes, podendo ser suficientemente severos para indicar um diagnóstico de Transtorno da Personalidade. Sintomas depressivos podem desenvolver-se em indivíduos com Parafilias, podendo acompanhar-se de um aumento da frequência e intensidade do comportamento parafílico.

A pletismografia peniana tem sido usada no contexto de pesquisas para avaliar várias Parafilias, medindo a excitação sexual de um indivíduo em resposta a estímulos visuais e auditivos. A confiabilidade e a validade deste procedimento na avaliação clínica não foram bem estabelecidas, e a experiência clínica sugere que os sujeitos podem simular uma resposta, manipulando imagens mentais.

O sexo frequente e desprotegido pode acarretar infeções ou a transmissão de uma doença sexualmente transmissível. Comportamentos sádicos ou masoquistas podem provocar ferimentos, que variam desde leves até ameaçadores à vida.

O diagnóstico de Parafilias entre as várias culturas ou religiões é complicado pelo fato de que aquilo que é considerado um desvio em um contexto cultural pode ser mais aceitável em outro. Exceto pelo Masoquismo Sexual, em que a proporção entre os sexos está estimada em 20 homens para cada mulher, as demais Parafilias quase nunca são diagnosticadas em mulheres, embora alguns casos tenham sido relatados.

Embora as Parafilias raramente sejam diagnosticadas em contextos clínicos gerais, o amplo mercado da pornografia e da parafernália parafílica sugere que sua prevalência na comunidade tende a ser maior. Os problemas apresentados com maior frequência em clínicas especializadas no tratamento de Parafilias são Pedofilia, Voyeurismo e Exibicionismo. O Masoquismo Sexual e o Sadismo Sexual são vistos com uma frequência muito menor. Aproximadamente metade dos indivíduos com Parafilias vistos em clínicas é casada.

Certas fantasias e comportamentos associados com Parafilias podem iniciar na infância ou nos primeiros anos da adolescência, mas tornam-se mais definidos e elaborados durante a adolescência e início da idade adulta. A elaboração e revisão das fantasias parafílicas pode continuar ao longo de toda a vida do indivíduo. Por definição, as fantasias e os anseios associados com esses transtornos são recorrentes.

Muitos indivíduos relatam que as fantasias estão sempre presentes, mas que existem períodos em que a frequência das fantasias e a intensidade dos anseios variam substancialmente. Os transtornos tendem a ser crônicos e vitalícios, mas tanto as fantasias quanto os comportamentos freqüentemente diminuem com o avanço da idade em adultos. Os comportamentos podem aumentar em resposta a stressores psicossociais, em relação a outros transtornos mentais ou com o aumento das oportunidades de envolvimento na Parafilia.

Uma Parafilia deve ser diferenciada do uso não-patológico de fantasias sexuais, comportamentos ou objetos como estímulo para a excitação sexual em indivíduos sem Parafilia. Fantasias, comportamentos ou objetos são parafílicos apenas quando levam a sofrimento ou prejuízo clinicamente significativos (por ex., são obrigatórios, acarretam disfunção sexual, exigem a participação de indivíduos sem seu consentimento, trazem complicações legais, interferem nos relacionamentos sociais).

Em casos de Retardo Mental, Demência, Alteração da Personalidade Devido a uma Condição Médica Geral, Intoxicação com Substância, Episódio Maníaco ou Esquizofrenia, pode haver uma redução do julgamento, habilidades sociais ou controle dos impulsos que, em casos raros, leva a um comportamento sexual incomum. Isto pode ser diferenciado de uma Parafilia pelo fato de que o comportamento sexual incomum não é o padrão preferido ou obrigatório do indivíduo, os sintomas sexuais ocorrem exclusivamente durante o curso desses transtornos mentais, e os atos sexuais incomuns tendem a ser isolados, ao invés de recorrentes, geralmente iniciando em uma idade mais tardia. As Parafilias individuais podem ser distinguidas com base nas diferenças entre o foco parafílico característico. Entretanto, se as preferências sexuais do indivíduo satisfazem os critérios para mais de uma Parafilia, todas podem ser diagnosticadas.

O Exibicionismo deve ser distinguido da micção em local público, que ocasionalmente é oferecida como explicação para o comportamento. O Fetichismo e o Fetichismo Transvéstico frequentemente envolvem artigos do vestuário feminino. No Fetichismo, o foco da excitação sexual situa-se na própria peça de vestuário (por ex., calcinhas), enquanto no Fetichismo Transvéstico a excitação sexual vem do ato de vestir as roupas do sexo oposto. O uso de roupas do sexo oposto, que está presente no Fetichismo Transvéstico, pode também ocorrer no Masoquismo Sexual. No Masoquismo Sexual, é a humilhação de ser forçado a vestir roupas do sexo oposto, não as roupas em si, o foco da excitação sexual. O transvestismo pode estar associado com disforia quanto ao gênero. Se alguma disforia quanto ao gênero está presente, mas não são satisfeitos todos os critérios para Transtorno da Identidade de Gênero, o diagnóstico é de Fetichismo Transvéstico, Com Disforia Quanto ao Gênero.

Os indivíduos devem receber o diagnóstico adicional de Transtorno da Identidade de Gênero se sua apresentação satisfaz todos os critérios para Transtorno da Identidade de Gênero.

O foco parafílico no Exibicionismo envolve a exposição dos próprios genitais a um estranho. Às vezes o indivíduo se masturba durante a exposição (ou enquanto fantasia que se expõe). Se o indivíduo age sob a influência desses anseios, geralmente não existe qualquer tentativa de uma atividade sexual adicional com o estranho. Em alguns casos, o indivíduo está consciente de um desejo de surpreender ou chocar o observador; em outros, o indivíduo tem a fantasia sexualmente excitante de que o observador ficará sexualmente excitado. O início em geral ocorre antes dos 18 anos, embora possa começar mais tarde. Poucos indivíduos de grupos etários mais velhos são detidos, o que pode sugerir que a condição se torna menos severa após os 40 anos de idade.

Critérios Diagnósticos para Exibicionismo

A. Ao longo de um período mínimo de 6 meses, fantasias, anseios sexuais e comportamentos sexualmente excitantes recorrentes e intensos, envolvendo a exposição dos próprios genitais a um estranho insuspeito.

B. As fantasias, anseios ou comportamentos sexuais causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

O foco parafílico no Fetichismo envolve o uso de objetos inanimados (“fetiches”). Entre os objetos de fetiche mais comuns estão calcinhas, soutiens, meias, sapatos, botas ou outras peças do vestuário feminino. O indivíduo com Fetichismo frequentemente se masturba enquanto segura, esfrega ou cheira o objeto do fetiche ou pode pedir que o parceiro sexual use o objeto durante seus encontros sexuais. Em geral o fetiche é exigido ou enfaticamente preferido para a excitação sexual, podendo os homens, em sua ausência, apresentar disfunção erétil. Esta Parafilia não é diagnosticada quando os fetiches se restringem a artigos do vestuário feminino usados no transvestismo, como no Fetichismo Transvéstico, ou quando o objeto é genitalmente estimulante porque foi concebido com esta finalidade (por ex., vibrador). Em geral, a Parafilia inicia na adolescência, embora o fetiche possa ter sido investido de uma importância especial na infância. Uma vez estabelecido, o Fetichismo tende a ser crônico.

Critérios Diagnósticos para Fetichismo

A. Ao longo de um período mínimo de 6 meses, fantasias sexualmente excitantes, recorrentes e intensas, impulsos sexuais e anseios ou comportamentos envolvendo o uso de objetos inanimados (por ex., roupas íntimas femininas).

B. As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

C. Os objetos de fetiche não se restringem a artigos de vestuário feminino usados no transvestismo (como no Fetichismo Transvéstico) ou a dispositivos desenvolvidos com a finalidade de estimulação tátil da genitália (por ex., vibrador).

O foco parafílico do Frotteurismo envolve tocar e esfregar-se em uma pessoa sem seu consentimento. O comportamento geralmente ocorre em locais com grande concentração de pessoas, dos quais o indivíduo pode escapar mais facilmente de uma detenção (por ex., calçadas movimentadas ou veículos de transporte coletivo). Ele esfrega seus genitais contra as coxas e nádegas ou acaricia com as mãos a genitália ou os seios da vítima. Ao fazê-lo, o indivíduo geralmente fantasia um relacionamento exclusivo e carinhos com a vítima. Entretanto, ele reconhece que, para evitar um possível processo legal, deve escapar à detecção após tocar sua vítima. Geralmente, a parafilia inicia na adolescência. A maior parte dos atos deste transtorno ocorre quando a pessoa está entre os 15 e os 25 anos de idade, após o que se observa um declínio gradual em sua frequência.

Critérios Diagnósticos para Frotteurismo

A. Ao longo de um período mínimo de 6 meses, fantasias sexualmente excitantes, recorrentes e intensas, impulsos sexuais ou comportamentos envolvendo tocar e esfregar-se em uma pessoa sem o seu consentimento.

B. As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

O foco parafílico da Pedofilia envolve atividade sexual com uma criança pré-púbere (geralmente com 13 anos ou menos). O indivíduo com Pedofilia deve ter 16 anos ou mais e ser pelo menos 5 anos mais velho que a criança. Para indivíduos com Pedofilia no final da adolescência, não se especifica uma diferença etária precisa, cabendo exercer o julgamento clínico, pois é preciso levar em conta tanto a maturidade sexual da criança quanto a diferença de idade. Os indivíduos com Pedofilia geralmente relatam uma atração por crianças de uma determinada faixa etária. Alguns preferem meninos, outros sentem maior atração por meninas, e outros são excitados tanto por meninos quanto por meninas. Os indivíduos que sentem atração pelo sexo feminino geralmente preferem crianças de 10 anos, enquanto aqueles atraídos por meninos preferem, habitualmente, crianças um pouco mais velhas.

A Pedofilia envolvendo vítimas femininas é relatada com maior frequência do que a Pedofilia envolvendo meninos. Alguns indivíduos com Pedofilia sentem atração sexual exclusivamente por crianças (Tipo Exclusivo), enquanto outros às vezes sentem atração por adultos (Tipo Não-Exclusivo). Os indivíduos com Pedofilia que atuam segundo seus anseios podem limitar sua atividade a despir e observar a criança, exibir-se, masturbar-se na presença dela, ou tocá-la e afagá-la. Outros, entretanto, realizam felação ou cunilíngua ou penetram a vagina, boca ou ânus da criança com seus dedos, objetos estranhos ou pênis, utilizando variados graus de força para tal. Essas atividades são geralmente explicadas com desculpas ou racionalizações de que possuem “valor educativo” para a criança, de que esta obtém “prazer sexual” com os atos praticados, ou de que a criança foi “sexualmente provocante” — temas comuns também na pornografia pedófila. Os indivíduos podem limitar suas atividades a seus próprios filhos, filhos adotivos ou parentes, ou vitimar crianças de fora de suas famílias. Alguns indivíduos com Pedofilia ameaçam a criança para evitar a revelação de seus atos. Outros, particularmente aqueles que vitimam crianças com frequência, desenvolvem técnicas complicadas para obterem acesso às crianças, que podem incluir a obtenção da confiança da mãe, casar-se com uma mulher que tenha uma criança atraente, traficar crianças com outros indivíduos com Pedofilia ou, em casos raros, adotar crianças de países não-industrializados ou raptar crianças. Exceto em casos nos quais o transtorno está associado com Sadismo Sexual, o indivíduo pode atender às necessidades da criança para obter seu afeto, interesse e lealdade e evitar que esta denuncie a atividade sexual. O transtorno geralmente começa na adolescência, embora alguns indivíduos com Pedofilia relatem não terem sentido atração por crianças até a meia-idade.

A frequência do comportamento pedófilo costuma flutuar de acordo com o estresse psicossocial. O curso em geral é crônico, especialmente nos indivíduos atraídos por meninos. A taxa de recidiva para indivíduos com Pedofilia envolvendo uma preferência pelo sexo masculino é aproximadamente o dobro daquela para a preferência pelo sexo feminino.

Critérios Diagnósticos para Pedofilia

A. Ao longo de um período mínimo de 6 meses, fantasias sexualmente excitantes recorrentes e intensas, impulsos sexuais ou comportamentos envolvendo atividade sexual com uma (ou mais de uma) criança pré-púbere (geralmente com 13 anos ou menos).

B. As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

C. O indivíduo tem no mínimo 16 anos e é pelo menos 5 anos mais velho que a criança ou crianças no Critério A.

Nota – Não incluir um indivíduo no final da adolescência envolvido em um relacionamento sexual contínuo com uma criança com 12 ou 13 anos de idade.

Especificar se: Atração Sexual por Homens Atração Sexual por Mulheres Atração Sexual por Ambos os Sexos ; Limitada ao Incesto ; Tipo Exclusivo (atração apenas por crianças) Tipo Não-Exclusivo

O foco parafílico do Masoquismo Sexual envolve o ato (real, não simulado) de ser humilhado, espancado, atado ou de outra forma submetido a sofrimento. Alguns indivíduos se sentem perturbados por suas fantasias masoquistas, que podem ser invocadas durante o intercurso sexual ou a masturbação, mas não atuadas de outro modo. Nesses casos, as fantasias masoquistas em geral envolvem ser estuprado estando preso ou atado por outros, sem possibilidade de fuga. Outros agem de acordo com seus desejos sexuais masoquistas por conta própria (por ex., atando a si mesmos, picando-se com alfinetes ou agulhas, auto-administrando choques elétricos ou automutilando-se) ou com um parceiro.

Os atos masoquistas que podem ser buscados com um parceiro incluem contenções (sujeição), colocação de vendas (sujeição sensorial), palmadas, espancamento, açoitamento, choques elétricos, ser cortado, “perfurado e atravessado” (infibulação) e humilhado (por ex., receber sobre si a urina ou as fezes do parceiro, ser forçado a rastejar e latir como um cão, ou ser submetido a abuso verbal). O transvestismo forçado pode ser buscado por sua associação com a humilhação. O indivíduo pode ter um desejo de ser tratado como um bebê indefeso e de usar fraldas (“infantilismo”). Uma forma particularmente perigosa de Masoquismo Sexual, chamada “hipoxifilia”, envolve a excitação sexual pela privação de oxigênio, obtida por meio de compressão torácica, garrotes, ataduras, sufocação com saco plástico, máscara ou substância química (frequentemente um nitrito volátil que produz uma redução temporária da oxigenação cerebral pela vasodilatação periférica). As atividades de privação de oxigênio podem ser executadas a sós ou com um parceiro. Mortes acidentais podem ocorrer devido a mau funcionamento do equipamento, erros na colocação da forca ou da atadura em torno do pescoço ou outros deslizes. Dados dos Estados Unidos, Inglaterra, Austrália e Canadá indicam que uma a duas mortes causadas por hipoxifilia por milhão são detetadas a cada ano. Alguns homens com Masoquismo Sexual também têm Fetichismo, Fetichismo Transvéstico ou Sadismo Sexual. As fantasias sexuais masoquistas tendem a ter estado presentes na infância. A idade na qual iniciam as atividades masoquistas com parceiros é variável, mas geralmente se situa nos primeiros anos da vida adulta.

O Masoquismo Sexual geralmente é crônico, com tendência a repetir o mesmo ato masoquista. Alguns indivíduos com Masoquismo Sexual podem dedicar-se a atos masoquistas por muitos anos sem um aumento na sua potencial periculosidade. Outros, entretanto, aumentam a gravidade dos atos masoquistas ao longo do tempo ou durante períodos de estresse, podendo acabar em ferimentos ou até mesmo em morte.

Critérios Diagnósticos para Masoquismo Sexual

A. Ao longo de um período mínimo de 6 meses, fantasias sexualmente excitantes, recorrentes e intensas, impulsos sexuais ou comportamentos envolvendo o ato (real, não simulado) de ser humilhado, espancado, atado ou de outra forma submetido a sofrimento.

B. As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

O foco parafílico do Sadismo Sexual envolve atos (reais, não simulados) nos quais o indivíduo deriva excitação sexual do sofrimento psicológico ou físico (incluindo humilhação) da vítima. Alguns indivíduos com esta Parafilia se sentem perturbados por suas fantasias sádicas, que podem ser invocadas durante a atividade sexual mas não são atuadas de outro modo; nesses casos, as fantasias sádicas envolvem, habitualmente, o completo controle sobre a vítima, que se sente aterrorizada ante o ato sádico iminente. Outros atuam segundo seus anseios sádicos com um parceiro que consente em sofrer dor ou humilhação (e que pode ter Masoquismo Sexual). Outros, ainda, colocam em prática seus anseios sexuais sádicos com vítimas que não dão consentimento. Em todos esses casos, o que causa excitação sexual é o sofrimento da vítima.

As fantasias ou atos sádicos podem envolver atividades que indicam o domínio do indivíduo sobre a vítima (por ex., forçar a vítima a rastejar ou mantê-la em uma jaula). Os indivíduos também podem atar, vendar, dar palmadas, espancar, chicotear, beliscar, bater, queimar, administrar choques elétricos, estuprar, cortar, esfaquear, estrangular, torturar, mutilar ou matar a vítima. As fantasias sexuais sádicas tendem a ter estado presentes na infância. A idade de início das atividades sádicas é variável, mas habitualmente ocorre nos primeiros anos da vida adulta. O Sadismo Sexual geralmente é crônico. Quando o Sadismo Sexual é praticado com parceiros que não consentem com a prática, a atividade tende a ser repetida até que o indivíduo com Sadismo Sexual seja preso. Alguns indivíduos com Sadismo Sexual podem dedicar-se a atos sádicos por muitos anos, sem necessidade de aumentar o potencial de infligir sérios danos físicos. Geralmente, entretanto, a gravidade dos atos sádicos aumenta com o tempo. Quando o Sadismo Sexual é severo, e especialmente quando está associado com Transtorno da Personalidade Anti-Social, os indivíduos podem ferir gravemente ou matar suas vítimas.

Critérios Diagnósticos para Sadismo Sexual

A. Ao longo de um período mínimo de 6 meses, fantasias sexualmente excitantes, recorrentes e intensas, impulsos sexuais ou comportamentos envolvendo atos (reais, não simulados) nos quais o sofrimento psicológico ou físico (incluindo humilhação) da vítima é sexualmente excitante para o indivíduo.

B. As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Características

O foco parafílico do Fetichismo Transvéstico envolve vestir-se com roupas do sexo oposto. Geralmente, o homem com Fetichismo Transvéstico mantém uma coleção de roupas femininas, que usa intermitentemente. Enquanto usa roupas femininas, ele em geral se masturba, imaginando-se tanto como o sujeito masculino quanto como o objeto feminino de sua fantasia sexual. Este transtorno tem sido descrito apenas em homens heterossexuais.

O Fetichismo Transvéstico não é diagnosticado quando o se vestir com roupas do sexo oposto ocorre exclusivamente durante o curso de um Transtorno da Identidade de Gênero. Os fenômenos transvésticos variam desde o uso ocasional e solitário de roupas femininas até o extenso envolvimento em uma subcultura transvéstica. Alguns homens usam um único item de vestuário feminino (por ex., roupa íntima ou cinta-liga) sob suas roupas masculinas. Outros homens com o transtorno vestem-se inteiramente como mulheres e usam maquiagem. O grau de semelhança de um indivíduo vestido desta forma com uma mulher varia, dependendo de maneirismos, postura corporal e habilidades de transvestir-se. Quando não está transvestido, o homem com Fetichismo Transvéstico em geral é irreparavelmente masculino.

Embora sua preferência básica seja heterossexual, ele tende a ter poucas parceiras sexuais e pode ter-se envolvido em atos homossexuais ocasionais. Um aspeto associado pode ser a presença de Masoquismo Sexual. O transtorno tipicamente começa com o uso de roupas femininas na infância ou início da adolescência. Em muitos casos, o transvestismo não é realizado em público até a idade adulta. A experiência inicial pode envolver o uso parcial ou completo de roupas femininas, sendo que o primeiro frequentemente progride para o uso de um vestuário feminino completo. Uma peça favorita do vestuário pode tornar-se erótica em si mesma e ser usada habitualmente, primeiro na masturbação e, posteriormente, no intercurso. Em alguns indivíduos, a motivação para vestir roupas femininas pode mudar ao longo do tempo, temporária ou permanentemente, com a excitação sexual em resposta ao transvestismo diminuindo ou desaparecendo. Nesses casos, o uso de roupas femininas torna-se um antídoto para a ansiedade e depressão ou contribui para um sentimento de paz e tranquilidade.

Em outros indivíduos, uma disforia quanto ao gênero pode emergir, especialmente sob estresse situacional, com ou sem sintomas de depressão. Para um pequeno número de indivíduos, a disforia quanto ao gênero torna-se uma parte fixa do quadro clínico, sendo acompanhada pelo desejo de se vestir e viver permanentemente como uma mulher e de buscar reatribuição sexual, por meio de hormônios ou cirurgia. Os indivíduos com Fetichismo Transvéstico frequentemente buscam tratamento quando emerge disforia quanto ao gênero. O subtipo Com Disforia Quanto ao Gênero é oferecido para permitir que o clínico anote a presença de disforia quanto ao gênero como parte do Fetichismo Transvéstico.

Critérios Diagnósticos para Fetichismo Transvéstico

A. Ao longo de um período mínimo de 6 meses, fantasias, anseios sexuais e comportamentos sexualmente excitantes recorrentes e intensos, envolvendo a exposição dos próprios genitais a um estranho insuspeito.

B. As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Especificar se: Com Disforia Quanto ao Gênero: se o indivíduo sente um desconforto persistente com o papel ou a identidade de gênero.

O foco parafílico do Voyeurismo envolve o ato de observar indivíduos, geralmente estranhos, sem suspeitar que estão sendo observados, que estão nus, a se despirem ou em atividade sexual. O ato de observar (“espiar”) serve à finalidade de obter excitação sexual, e geralmente não é tentada qualquer atividade sexual com a pessoa observada. O orgasmo, em geral produzido pela masturbação, pode ocorrer durante o Voyeurismo ou mais tarde, em resposta à recordação do que o indivíduo testemunhou. Frequentemente, esses indivíduos fantasiam uma experiência sexual com a pessoa observada, mas isto raramente ocorre na realidade. Em sua forma severa, o ato de espiar constitui a forma exclusiva de atividade sexual. O início do comportamento voyeurista geralmente ocorre antes dos 15 anos. O curso tende a ser crônico.

Critérios Diagnósticos para Voyeurismo

A. Durante um período mínimo de 6 meses, fantasias sexualmente excitantes recorrentes e intensas, impulsos sexuais ou comportamentos envolvendo o ato de observar uma pessoa que está nua, a se despir ou em atividade sexual, sem suspeitar que está sendo observada. B. As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Esta categoria é incluída para a codificação de Parafilias que não satisfazem os critérios para qualquer das categorias específicas. Os exemplos incluem a escatologia telefônica (telefonemas obscenos), necrofilia (cadáveres), parcialismo (foco exclusivo em uma parte do corpo), zoofilia (animais), coprofilia (fezes), clismafilia (enemas) e urofilia (urina), entre outras.

| Transtorno da Identidade de Gênero

Há dois componentes no Transtorno da Identidade de Gênero, sendo que ambos devem estar presentes para fazer o diagnóstico. Deve haver evidências de uma forte e persistente identificação com o gênero oposto, que consiste do desejo de ser, ou a insistência do indivíduo de que ele é do sexo oposto (Critério A). Esta identificação com o gênero oposto não deve refletir um mero desejo de quaisquer vantagens culturais percebidas por ser do outro sexo. Também deve haver evidências de um desconforto persistente com o próprio sexo atribuído ou uma sensação de inadequação no papel de gênero deste sexo (Critério B).

O diagnóstico não é feito se o indivíduo tem uma condição intersexual física concomitante (por ex., síndrome de insensibilidade aos andrógenos ou hiperplasia adrenal congênita) (Critério C). Para que este diagnóstico seja feito, deve haver evidências de sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo (Critério D). Em meninos, a identificação com o gênero oposto é manifestada por uma acentuada preocupação com atividades tradicionalmente femininas. Eles podem manifestar uma preferência por vestir-se com roupas de meninas ou mulheres ou improvisar esses itens a partir de materiais disponíveis, quando os artigos genuínos não estão à sua disposição. Toalhas, aventais e lenços frequentemente são usados para representar cabelos longos ou saias. Existe uma forte atração pelos jogos e passatempos estereotípicos de meninas. Pode ser observada uma preferência particular por brincar de casinha, desenhar meninas bonitas e princesas e assistir televisão ou vídeos de suas personagens femininas favoritas. Bonecas estereotipicamente femininas, tais como Barbie, com frequência são seus brinquedos favoritos, e as meninas são suas companhias preferidas.

Quando brincam de casinha, esses meninos encenam figuras femininas, mais comumente “papéis de mãe”, e habitualmente ocupam sua fantasia com figuras femininas. Esses meninos evitam brincadeiras rudes e desportos competitivos e demonstram pouco interesse por carrinhos ou caminhões ou outros brinquedos não-agressivos, porém estereotipicamente masculinos. Eles podem expressar um desejo de ser meninas e declarar que, quando crescerem, serão mulheres. Pode haver, também, uma insistência em urinar sentados e em fingir que não possuem pênis, escondendo-o entre as pernas. Mais raramente, os meninos com Transtorno da Identidade de Gênero podem afirmar que têm aversão por seu pênis ou testículos, que desejam removê-los ou que têm, ou desejam ter, uma vagina. As meninas com Transtorno da Identidade de Gênero apresentam reações negativas intensas às expectativas ou tentativas dos pais de que se vistam com roupas femininas. Algumas podem recusar-se a comparecer à escola ou a eventos sociais em que essas roupas são exigidas. Elas preferem roupas de menino e cabelos curtos e com frequência são erroneamente identificadas por estranhos como meninos; elas também podem pedir aos outros que as chamem por nomes masculinos. Seus heróis de fantasia são, com maior frequência, figuras masculinas poderosas, tais como Batman ou Super-Homem.

Essas meninas preferem brincar com meninos, e com eles compartilham interesses em desportos de contato, brincadeiras rudes e jogos tradicionalmente masculinos. Elas demonstram pouco interesse em bonecas ou em qualquer forma de roupas ou atividades femininas de faz-de-conta. Uma menina com este transtorno pode recusar-se, ocasionalmente, a urinar sentada. Ela pode afirmar que tem ou terá um pênis e não desejar desenvolver seios ou menstruar. Ela pode declarar que quando crescer será um homem. Essas meninas tipicamente revelam acentuada identificação com o gênero oposto em brincadeiras, sonhos e fantasias. Os adultos com Transtorno da Identidade de Gênero preocupam-se com seu desejo de viver como um membro do sexo oposto. Esta preocupação pode manifestar-se como um intenso desejo de adotar o papel social do sexo oposto ou adquirir a aparência física do sexo oposto através de manipulação hormonal ou cirúrgica. Os adultos com este transtorno sentem desconforto ao serem considerados ou funcionarem, na sociedade, como um membro de seu sexo designado. Eles adotam, em variados graus, o comportamento, roupas e maneirismos do sexo oposto.

Em sua vida privada, esses indivíduos podem passar muito tempo vestidos como o sexo oposto e trabalhando para que sua aparência seja a do outro sexo. Com roupas do sexo oposto e tratamento hormonal (e, para homens, eletrólise), muitos indivíduos com este transtorno podem passar-se convincentemente por pessoas do sexo oposto. A atividade sexual desses indivíduos com parceiros do mesmo sexo geralmente é limitada pelo fato de preferirem que os parceiros não vejam nem toquem seus genitais. Para alguns homens que apresentam o transtorno em uma idade mais tardia (frequentemente após o casamento), a atividade sexual com uma mulher é acompanhada pela fantasia de serem amantes lésbicas ou de que sua parceira é um homem e ele é uma mulher. Em adolescentes, as características clínicas podem assemelhar-se àqueles de crianças ou de adultos, dependendo do nível de desenvolvimento do indivíduo, devendo os critérios ser aplicados de acordo com o quadro clínico. Em um adolescente mais jovem, pode ser difícil chegar a um diagnóstico correto, em vista de sua reserva, que pode aumentar se ele sentir-se ambivalente acerca da sua identificação com o sexo oposto ou achar que isto é inaceitável para sua família.

O adolescente pode ser encaminhado para avaliação porque os pais ou professores demonstram preocupação com o isolamento social ou com zombaria ou rejeição por parte dos seus pares. Nessas circunstâncias, o diagnóstico deve ser reservado para aqueles adolescentes que se mostram bastante identificados com o sexo oposto em seu vestuário ou que se envolvem em comportamentos que sugerem uma significativa identificação com o gênero oposto (por ex., depilar as pernas, em homens). O esclarecimento do diagnóstico em crianças e adolescentes pode exigir um extenso período de monitoramento. O sofrimento ou prejuízo em indivíduos com Transtorno da Identidade de Gênero tem diferentes manifestações ao longo do ciclo vital. Em crianças pequenas, o sofrimento é manifestado pela infelicidade declarada acerca de seu sexo atribuído, sendo que a preocupação com desejos do sexo oposto frequentemente interfere em atividades corriqueiras. Em crianças mais velhas, o fracasso em desenvolver relacionamentos e habilidades apropriados à idade com seus pares do mesmo sexo frequentemente provoca isolamento e sofrimento, podendo algumas se recusar a comparecer à escola, em razão de zombaria ou pressões no sentido de vestirem-se de acordo com o estereótipo de seu sexo. Em adolescentes e adultos, a preocupação com desejos do sexo oposto frequentemente interfere em atividades corriqueiras. Dificuldades de relacionamento são comuns, podendo comprometer o funcionamento na escola ou no trabalh

Para indivíduos sexualmente maduros, os seguintes especificadores podem ser anotados, com base na orientação sexual do indivíduo: Atração Sexual por Homens, Atração Sexual por Mulheres, Atração Sexual por Ambos os Sexos, Ausência de Atração por Quaisquer dos Sexos. Os homens com Transtorno da Identidade de Gênero incluem proporções substanciais com todos os quatro especificadores. Virtualmente todas as mulheres com Transtorno da Identidade de Gênero recebem o mesmo especificador — Atração Sexual por Mulheres -, embora existam casos excecionais envolvendo mulheres com Atração Sexual por Homens.

Características descritivas e transtornos mentais associados. Muitos indivíduos com Transtorno da Identidade de Gênero tornam-se socialmente isolados. O isolamento e o ostracismo contribuem para a baixa auto-estima e podem levar à aversão e abandono da escola. O ostracismo e a zombaria por parte dos seus pares são sequelas especialmente comuns para meninos com o transtorno.

Os meninos com Transtorno da Identidade de Gênero em geral exibem maneirismos e padrão de fala acentuadamente femininos. A perturbação pode ser tão invasiva, que a vida mental de alguns indivíduos gira unicamente em torno de atividades que diminuem o sofrimento quanto ao gênero. Eles preocupam-se frequentemente com a aparência, em especial no início da transição para uma vida no papel do sexo oposto. Os relacionamentos com um ou ambos os pais também pode ser seriamente prejudicados. Alguns homens com Transtorno da Identidade de Gênero recorrem à automedicação com hormônios e podem, muito raramente, executar sua própria castração ou penectomia. Especialmente em centros urbanos, alguns homens com o transtorno podem envolver-se em prostituição, o que os coloca em alto risco de infeção com o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Tentativas de suicídio e Transtornos Relacionados a Substâncias estão habitualmente associados. As crianças com Transtorno da Identidade de Gênero podem manifestar Transtorno de Ansiedade de Separação, Transtorno de Ansiedade Generalizada e sintomas depressivos coexistentes. Os adolescentes estão particularmente em risco de depressão e ideação suicida.

Em adultos, ansiedade e sintomas depressivos podem estar presentes. Alguns adultos podem ter uma história de Fetichismo Transvéstico, bem com outras Parafilias. A associação com Transtornos da Personalidade é mais comum em homens do que em mulheres avaliados em clínicas especializadas para adultos.

Não existe qualquer teste diagnóstico específico para o Transtorno da Identidade de Gênero. Na presença de um exame físico normal, geralmente não se indica o cariótipo de cromossomas sexuais e avaliações de hormônios sexuais. A testagem psicológica pode revelar identificação ou padrões de comportamento do gênero oposto. Achados ao exame físico e condições médicas gerais associadas.

Os indivíduos com Transtorno da Identidade de Gênero têm genitália normal (contrastando com a genitália ambígua ou hipogonadismo encontrados nas condições intersexuais físicas). Homens adolescentes e adultos com Transtorno da Identidade de Gênero podem apresentar um aumento das mamas resultante da ingestão de hormônios, ausência de pelos por depilação temporária ou permanente e outras alterações físicas em consequência de procedimentos tais como rinoplastia ou desbastamento da cartilagem tireoide (redução cirúrgica do pomo de Adão). Mamas distorcidas ou com escoriações podem ser observadas em mulheres que usam faixas para ocultá-las.

As complicações pós-cirúrgicas em indivíduos geneticamente femininos incluem cicatrizes proeminentes na parede torácica e, em indivíduos geneticamente masculinos, constrições vaginais, fístulas retovaginais, estenoses da uretra e jato urinário mal-direcionado. As mulheres adultas com Transtorno da Identidade de Gênero podem ter uma probabilidade maior do que a esperada de doença ovariana policística.

As mulheres com Transtorno da Identidade de Gênero em geral experimentam menor ostracismo em razão de interesses relacionados ao sexo oposto e podem sofrer menos rejeição por parte de seus pares, pelo menos até a adolescência. Em amostras de clínicas infantis, existem aproximadamente cinco meninos para cada menina encaminhada com este transtorno.

Em amostras clínicas adultas, os homens superam em número as mulheres, em cerca de duas a três vezes. Em crianças, a tendência para o encaminhamento de meninos pode refletir, em parte, o maior estigma associado com o comportamento do gênero oposto em meninos do que em meninas.

Não existem estudos epidemiológicos recentes que ofereçam dados sobre a prevalência do Transtorno da Identidade de Gênero. Os dados de países menores da Europa, com acesso a estatísticas da população total e encaminhamentos, sugerem que aproximadamente 1 em 30.000 homens adultos e 1 em 100.000 mulheres adultas buscam cirurgia de reatribuição sexual.

Para crianças encaminhadas a clínicas, o início de interesses e atividades relativos ao sexo oposto habitualmente se situa entre 2 e 4 anos de idade, sendo que alguns pais afirmam que seus filhos sempre manifestaram interesses do gênero oposto. Apenas um pequeno número de crianças com Transtorno da Identidade de Gênero continua apresentando sintomas que satisfazem os critérios para Transtorno da Identidade de Gênero na adolescência tardia ou na idade adulta. Tipicamente, as crianças são encaminhadas por ocasião de seu ingresso na escola, em vista da preocupação dos pais de que aquilo que consideravam uma “fase” parece não estar sendo superado. A maioria das crianças com Transtorno da Identidade de Gênero exibe comportamentos menos manifestos do gênero oposto com o passar do tempo, intervenção parental ou resposta de seus pares. Ao final da adolescência ou na idade adulta, cerca de três quartos dos meninos que apresentavam uma história infantil de Transtorno da Identidade de Gênero relatam uma orientação homossexual ou bissexual, mas sem um Transtorno da Identidade de Gênero concomitante. A maior parte dos restantes declara uma orientação heterossexual, também sem um Transtorno da Identidade de Gênero concomitante. As percentagens correspondentes para a orientação sexual em meninas não são conhecidas. Algumas adolescentes podem desenvolver uma identificação mais clara com o sexo oposto e solicitar cirurgia de reatribuição sexual ou continuar em um curso crônico de confusão de gênero ou disforia quanto a este.

Em homens adultos, existem dois cursos diferentes para o desenvolvimento do Transtorno da Identidade de Gênero. O primeiro consiste de uma continuação do Transtorno da Identidade de Gênero que teve seu início na infância ou começo da adolescência. Esses indivíduos tipicamente se apresentam ao final da adolescência ou na idade adulta. No outro curso, os sinais mais manifestos de identificação com o gênero oposto aparecem mais tardia e gradualmente, com uma apresentação clínica no início ou na metade da idade adulta, em geral se seguindo, mas às vezes concomitante com o Fetichismo Transvéstico. O grupo de início mais tardio pode ter um grau mais flutuante de identificação com o gênero oposto, maior ambivalência acerca de uma cirurgia de reatribuição sexual, maior propensão a sentir atração por mulheres e menor tendência a sentirem-se satisfeitos após uma cirurgia de reatribuição sexual.

Os homens com Transtorno da Identidade de Gênero que sentem atração sexual por homens tendem a apresentar-se, na adolescência ou início da idade adulta, com uma história de disforia ao longo da vida quanto ao gênero. Em comparação, aqueles que sentem atração sexual ou por mulheres, ou tanto por homens quanto por mulheres ou por nenhum sexo, tendem a apresentar-se mais tarde e têm tipicamente uma história de Fetichismo Transvéstico. Se o Transtorno da Identidade de Gênero está presente na idade adulta, ele tende a um curso crônico, mas há relatos de remissão espontânea.

O Transtorno da Identidade de Gênero pode ser diferenciado do simples inconformismo com o comportamento sexual estereotípico pela extensão e caráter invasivo dos desejos, interesses e atividades relativos ao gênero oposto. Este transtorno não pretende descrever o inconformismo de uma criança com o comportamento estereotípico de papel sexual como, por exemplo, em meninas “masculinas” ou no comportamento “maricas” de meninos. Ele representa, outrossim, uma profunda perturbação do sentimento de identidade do indivíduo com relação à masculinidade ou feminilidade.

O comportamento infantil que meramente não se ajusta ao estereótipo cultural de masculinidade ou feminilidade não deve receber este diagnóstico, a menos que a síndrome completa esteja presente, incluindo acentuado sofrimento ou prejuízo. O Fetichismo Transvéstico ocorre em homens heterossexuais (ou bissexuais), cujo comportamento transvéstico serve a finalidades de excitação sexual. Além do transvestismo, a maior parte dos indivíduos com Fetichismo Transvéstico não possui uma história de comportamentos do gênero oposto na infância. Os homens com uma apresentação que satisfaça todos os critérios para Transtorno da Identidade de Gênero, bem como para Fetichismo Transvéstico, devem receber ambos os diagnósticos. Se a disforia quanto ao gênero está presente em um indivíduo com Fetichismo Transvéstico, mas não são satisfeitos todos os critérios para Transtorno da Identidade de Gênero, o especificador Com Disforia Quanto ao Gênero pode ser usado.

A categoria Transtorno da Identidade de Gênero Sem Outra Especificação pode ser usada para indivíduos com um problema de identidade de gênero com uma condição intersexual congênita concomitante (por ex., síndrome de insensibilidade a andrógenos ou hiperplasia adrenal congênita). Na Esquizofrenia pode haver, raramente, delírios de pertencer ao sexo oposto. A insistência de uma pessoa com Transtorno da Identidade de Gênero quanto a ser do sexo oposto não é considerada um delírio, porque significa, invariavelmente, que a pessoa se sente como um membro do outro sexo, ao invés de uma crença de ser do sexo oposto.

Em casos muito raros, entretanto, podem coexistir a Esquizofrenia e um severo Transtorno da Identidade de Gênero.

A. Uma forte e persistente identificação com o gênero oposto (não meramente um desejo de obter quaisquer vantagens culturais percebidas pelo fato de ser do sexo oposto). Em crianças, a perturbação é manifestada por quatro (ou mais) dos seguintes quesitos:

(1) declarou repetidamente o desejo de ser, ou insistência de que é, do sexo oposto

(2) em meninos, preferência pelo uso de roupas do gênero oposto ou simulação de trajes femininos; em meninas, insistência em usar apenas roupas estereotipadamente masculinas

(3) preferências intensas e persistentes por papéis do sexo oposto em brincadeiras de faz-de-conta, ou fantasias persistentes acerca de ser do sexo oposto

(4) intenso desejo de participar em jogos e passatempos estereotípicos do sexo oposto

(5) forte preferência por companheiros do sexo oposto. Em adolescentes e adultos, o distúrbio se manifesta por sintomas tais como desejo declarado de ser do sexo oposto, passar-se frequentemente por alguém do sexo posto, desejo de viver ou ser tratado como alguém do sexo oposto, ou a convicção de ter os sentimentos e reações típicos do sexo oposto.

B. Desconforto persistente com seu sexo ou sentimento de inadequação no papel de gênero deste sexo. Em crianças, a perturbação manifesta-se por qualquer das seguintes formas: em meninos, afirmação de que seu pênis ou testículos são repulsivos ou desaparecerão, declaração de que seria melhor não ter um pênis ou aversão a brincadeiras rudes e rejeição a brinquedos, jogos e atividades estereotipadamente masculinos; em meninas, rejeição a urinar sentada, afirmação de que desenvolverá um pênis, afirmação de que não deseja desenvolver seios ou menstruar ou acentuada aversão a roupas caracteristicamente femininas. Em adolescentes e adultos, o distúrbio manifesta-se por sintomas tais como preocupação em ver-se livre de características sexuais primárias ou secundárias (por ex., solicitação de hormônios, cirurgia ou outros procedimentos para alterar fisicamente as características sexuais, com o objetivo de simular o sexo oposto) ou crença de ter nascido com o sexo errado.

C. A perturbação não é concomitante a uma condição intersexual física.

D. A perturbação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

| Transtorno da Identidade de Gênero Sem Outra Especificação

Esta categoria é incluída para a codificação de transtornos da identidade de gênero não classificáveis como um Transtorno da Identidade de Gênero específico.

Exemplos: 1. Condições intersexuais (por ex., síndrome de insensibilidade a andrógenos ou hiperplasia adrenal congênita) e disforia concomitante quanto ao gênero. 2. Comportamento transvéstico transitório, relacionado ao estresse. 3. Preocupação persistente com castração ou penectomia, sem um desejo de adquirir as características sexuais do gênero oposto.

| Transtorno Sexual Sem Outra Especificação

Esta categoria é incluída para a codificação de uma perturbação sexual que não satisfaça os critérios para qualquer transtorno sexual específico, nem seja uma Disfunção Sexual ou uma Parafilia.

Exemplos: 1. Acentuados sentimentos de inadequação envolvendo o desempenho sexual ou outros traços relacionados a padrões auto-impostos de masculinidade ou feminilidade. 2. Sofrimento acerca de um padrão de relacionamentos sexuais repetidos, envolvendo uma sucessão de amantes sentidos pelo indivíduo como coisas a serem usadas. 3. Sofrimento persistente e acentuado quanto à orientação sexual.

NÃO SE SENTE BEM?
Ajude-me a cuidar de si! CONTACTE-NOS

Contacto Geral – 22 111 33 21 | 22 110 47 57 | 913 676 842